Brasília, 26 - O presidente indicado do Banco Central, Francisco Lopes, revelou há pouco, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que em janeiro o Brasil perdeu US$ 8 bilhões das suas reservas internacionais. Desde setembro do ano passado, com a decretação da moratória russa, explicou Lopes, o Brasil perdeu cerca de US$ 40 bilhões. Desse total, cerca de US$ 21 bilhões saíram do País em setembro, US$ 3 bilhões em outubro, US$ 1 bilhão em novembro, US$ 6 bilhões em dezembro e os mencionados US$ 8 bilhões em janeiro.
Lopes enfatizou que, com essa perda de reservas, "era evidente que o regime cambial estava sob pressão". "Era difícil resistir", afirmou. Ele disse que num espaço de apenas quatro dias em janeiro, o Brasil perdeu US$ 6 bilhões. "Era inevitável reagir, e, por isso, o governo teve que passar rapidamente do processo de abertura (da banda cambial) para a liberação total do câmbio. O presidente do BC ressaltou que a negociação com o Fundoo Monetário Internacional foi "fundamental para que o País ganhasse tempo e fizesse a transição da âncaro cambial para a âncora fiscal".
Ele disse que o regime de flutuação do câmbio era onde o governo queria chegar com o suporte do ajuste fiscal rigoroso. Lopes comentou que nos próximos dias o Congresso fará votações importantes para o ajuste, que será fundamental para o Brasil evitar um ataque especulativo à sua moeda.
O presidente em exercício do Banco Central, Francisco Lopes, classificou de "nefasta" a palavra moratória, ao se referir, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, ao calote da dívida russa, anunciado em setembro do ano passado. "Essa palavra nefasta tem o poder de desequilibrar os sistemas econômicos", afirmou, em discreta referência à moratória declarada pelo governador de Minas Gerais. O presidente em exercício do Banco Central, Francisco Lopes, disse ainda em sua exposição na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que do ponto de vista monetário o governo agiu corretamente no combate à crise asiática. Lopes, no entanto, levantou dúvida com relação a resposta fiscal.
Ele classifiou como "muito tímido" o pacote de 51 medidas anunciadas na época pelo governo. "Tivemos uma perda de credibilidade em função da fraqueza da resposta fiscal", justificou.
O presidente do Banco Central, Francisco Lopes, afirmou há pouco, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que o sistema de "Currency Board" (centralização do câmbio) no Brasil seria "um desastre total". Segundo Lopes, esse sistema não tem condições de ser implementado no País. "No caso brasileiro, a opção pelo "Currency Board" seria desastrosa", disse ele, que dedicou parte de sua explanação para explicar os motivos pelos quais o BC não adotou esse sistema cambial. O presidente indicado do BC lembrou que o opção pelo "Currency Board" em outros países é rara. Observou que entre 200 economias do mundo, só duas adotaram esse regime cambial - Argentina e Hong Kong. "Isso diz alguma coisa sobre as dificuldades de sua implementação". Lopes afirmou, no entanto, que se acredita que esse sistema seja sustentável, mas enfatizou que é raro no mundo. Disse que em 1906, o Brasil adotou o "Currency Board", que era chamado de "Caixa de Conversão", mas não deu certo, por causa da eclosão da Primeira Guerra Mundial. Assegurou que, no Brasil, a implantação do "Currency" Board seria desastrosa, porque o País não tem características de dolarização, tem uma M4 (total de depósitos) muito grande, de cerca de R$ 450 bilhões, e reservas de US$ 36 bilhões. "Seria extremamente difícil utilizar esse regime cambial neste tipo de economia, com reservas de US$ 36 bilhões", afirmou.

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