Brasil pedirá extradição de libanês à Romênia
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segunda-feira, 20 de março de 2000
Por Chico Araújo, especial para a AE 
Brasília, 21 (AE) - O governo brasileiro pedirá esta semana à Romênia a extradição do libanês Atef Saids Abbas, condenado a quatro anos e meio no Brasil por crime de falsidade ideológica.
Abbas é acusado de sequestar em 1997 seus dois filhos e levá-los para o Líbano. Ele teria falsificado a assinatura de sua ex-mulher, Vagna Aparecida Bandeira, num documento que autorizava o embarque das crianças.
O pedido de extradição de Atef será formalizada pelo Ministério da Justiça. Segundo o diretor do Departamento de Estrangeiros do ministério, Luiz Paulo Barreto, o pedido será enviado à embaixada brasileira em Beirute, que fará análise das leis libanesas para solicitar a homologação do mandado de busca e apreensão da Justiça brasileira expedido em favor de Vagna Bandeira.
O mandado dará a ela o direito de trazer os filhos de volta para o Brasil. Atualmente, os filhos de Vagna estão vivendo no Líbano com os pais de Atef Abbas.
O Brasil tenta desde 1997 negociar com o Líbano a prisão de Abbas e o retorno das crianças. Apesar da insistência, as autoridades brasilieras não tiveram sucesso.
Mas com a fuga de Abbas para a Romênia, o Ministério da Justiça espera a prisão dele e, para isso, já acionou a Interpol
a polícia internacional.
A extradição de Atef Abbas vinha sendo dificultada porque ele tem dupla nacionalidade: nasceu no Brasil, mas, como filho de libaneses, é também cidadão do Líbano.
"O Líbano não aceita extraditar seus cidadãos", explica Luiz Paulo Barreto.
Mesmo não possuindo tratado de extradição com a Romênia, o governo brasileiro tentará extraditar Abbas por meio de um acordo de reciprocidade.
Isso significa que, se aprovada a extradição do libanês, o Brasil terá que autorizar, em troca, a extradição de romenos eventualmente presos em território brasileiro.


