São Paulo, 05 (AE) - O Brasil começa no ano que vem a participar de um estudo que avaliará a produção de anticorpos de uma nova vacina antiaids. A inclusão do Brasil permitirá a avaliação da vacina nas cepas de HIV que circulam pelo País e dá
ainda, descontos na compra caso a vacina venha a ser produzida. Isso garantirá acesso ao imunizante para uma parcela maior da população.
Outro ponto, ainda em discussão, é a oportunidade de o País importar a tecnologia das novas vacinas em desenvolvimento. Segundo José da Rocha Carvalheiro, presidente da Comissão Nacional de Vacinas Antiaids, há vários centros no País capazes de produzir a vacina, como o Adolfo Lutz e a FioCruz. "Queremos participar para poder comprar mais barato e, até mesmo, produzir a vacina", disse.
O imunizante, da empresa Pasteur Merieux, usa um vírus encontrado em canários para introduzir no corpo um gene encontrado no HIV. O vírus leva o gene para dentro das células, onde produz uma proteína estranha ao corpo, o que ativa o sistema imunológico a fabricar células de defesa e anticorpos contra o HIV. Para o especialista Thomas Evans, da Universidade de Rochester, EUA, a nova vacina aumentará em quatro vezes a resposta imunológica.
Além do Brasil, Trinidad Tobago e Haiti também participam da pesquisa. A Universidade Federal do Rio de Janeiro, até agora, é o único centro confirmado, com mais de cem voluntários. A Pasteur Merieux já realizou testes com esse imunizante nos Estados Unidos. Para testá-lo internacionalmente, a empresa modificou alguns componentes, segundo Carvalheiro.
O Brasil já participou de um estudo com uma vacina da Vacigen ano passado, em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. Na ocasião, a pesquisa envolveu 24 pacientes. O estudo foi de fase 1, em que se testa a segurança da vacina.

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