Brasil oferece tecnologia para fabricar genéricos
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sexta-feira, 12 de julho de 2002
Philippe Coste<br> France Presse 
Barcelona - O Brasil está pronto para ''transferir gratuitamente aos países que quiserem a tecnologia necessária para fabricar medicamentos genéricos'', assegurou o médico Paulo Teixeira, da coordenaria brasileira da luta contra a Aids, durante a XIV conferência sobre Aids em Barcelona.
O Brasil, com 170 milhões de habitantes, possui 600.000 soropositivos, ''menos da metade do que previa o Banco Mundial há alguns anos'', destacou.
Para lutar contra o vírus, levou adiante ações de prevenção dirigidas a ''grupos de risco'' (homossexuais, viciados em drogas, prostitutas) não unicamente ao conjunto da população. Concentrou a ação de prevenção nas escolas, públicas e privadas, alcançando 30 milhões de alunos. Distribuiu preservativos, seringas e agulhas descartáveis e, principalmente, preocupou-se em entregar antivirais às pessoas doentes, fabricando-os ou negociando os preços quando possível.
Das 15 moléculas disponíveis no Brasil, oito são fabricadas no país. ''O governo conseguiu reduzir em 50% os preços de venda de quatro medicamentos produzidos por Abbott, Merck e Roche'', explicou Teixeira.
''Nem tudo é perfeito e não estamos à altura de oferecer aos presidiários e a algumas minorias o mesmo nível de cuidados que ao restante da população'', admitiu. Lembrou que o Brasil acaba de se comprometer em investir seis milhões de dólares para criar uma infra-estrutura de pesquisa de vacinas contra a doença, e empenha-se em conseguir parceiros para a fabricação de medicamentos com outros países da América Latina e do Caribe.
Apesar da solidariedade, Teixeira reconhece que o custo financeiro está no centro da guerra contra a Aids e que os países ocidentais devem ajudar a proporcioná-lo.
''Os países ricos são ricos porque adquirem a maior parte dos bens do planeta em diamantes, em lucros e em taxas de juros e, para evitar um desastre, devem instaurar uma espécie de plano Marshall como fizeram os Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial para ajudar a Europa na época'', afirmou.


