Brasil ocupa 29º lugar em ranking de desenvolvimento sustentável
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de janeiro de 2000
Por Rolf Kuntz Enviado especial 
Davos, Suíça, 31 (AE) - Apesar dos incêndios na Amazônia e de problemas de poluição como o do rio Tietê, o Brasil aparece em posição intermediária, na escala internacional, quando se trata de medir o desenvolvimento sustentável em termos ambientais. Numa lista de 56 países, o Brasil aparece em 29º lugar, em posição melhor que a da China, a de todos os tigres da ásia, incluída a Coréia, e bem melhor que as do México, Turquia, Egito, áfrica do Sul e alguns da Europa ex-socialista, como Bulgária e Ucrânia. Noruega e Islândia surgem nos dois primeiros lugares, seguidas por Suíça, Finlândia e Suécia. Na pior posição está o Vietnã. Os Estados Unidos ocupam a 16º posição.
A boa notícia proporcionada por essa pesquisa, por enquanto, é a seguinte: é possível cuidar ao mesmo tempo do desenvolvimento econômico e da preservação do ambiente, sem Ter de renunciar a um objetivo para atender ao outro. Em contrapartida, não se encontrou nenhum vínculo significativo entre desenvolvimento e respeito a padrões ambientais. No máximo
a análise apontou algumas correlações muito tênues entre competitividade e boas práticas ecológicas, insuficientes para qualquer conclusão positiva.
A classificação é parte de um projeto, ainda em fase piloto, de montar um Indice de Sustentabilidade Ambiental. O trabalho nasceu de uma idéia lançada no ano passado no Fórum Econômico Mundial, em Davos, e desenvolvida por equipes de pesquisadores das universidades de Yale e de Colúmbia, ambas dos Estados Unidos.
O primeiro relatório da pesquisa, distribuído em Davos, é apresentado em linguagem muito cuidadosa. O índice ainda é um protótipo e será necessário melhorá-lo em vários aspectos. De modo geral, o quadro obtido se ajusta ao esperado, com algumas poucas surpresas. Cingapura ficou em 39º lugar, inesperadamente baixo, e Rússia aparece na 22ª posição, muito melhor que a imaginada antes dos resultados.
O índice geral é formado 5 grandes componentes, divididos em 21 fatores e 64 variáveis. Cada país pode aparecer em posição diferente, quando se considera cada um desses elementos ou grupos de elementos.
Quando se leva em conta, por exemplo, o componente de stress ambiental (efeitos da atividade nos ecossistemas), o País ocupa o 19º lugar.Fica em 22º quando se trata da cooperação internacional e dos cuidados com ambiente partilhado com outros países). Quanto a este ponto, a classificação brasileira é melhor que a dos Estados Unidos (31ª posição), a da Bélgica e a da Itália. Mas o Brasil despenca para o 47º posto, quando a medida se refere à vulnerabilidade humana. A explicação pode ser inferida sem a mínima dificuldade: grande parcela de população pobre, afetada, por exemplo, saneamento deficiente e más condições habitacionais.


