Brasil nova fase
Três refeições por dia. Ótimo. Lula anunciou a sua meta para minorar o sofrimento dos famintos. Também não podemos mais achar que tanta insegurança e violência fazem parte das regras do jogo. Resta saber como reverter as aberrações que inquietam o presidente eleito.
Comecemos pela transição. Momento de olhar a caixa preta e verificar os números e segredos que envolvem o Palácio do Planalto com as tais informações ''confidenciais''. O coordenador do grupo é Antônio Palocci. Conheci-o prefeito na cidade de Ribeirão Preto, que no interior de São Paulo chamam de ''nossa Califórnia''. Lançou um plano de montar bibliotecas nas escolas municipais. Participando de uma Feira do Livro na cidade, fui convidado para a inauguração de uma delas, batizada com o nome de Darcy Ribeiro. Palocci pediu-me para falar sobre o grande mestre. O trabalho dele como prefeito é muito elogiado. Possui todas as condições de coordenar, e bem, a equipe da transição.
Lula atrasou em duas horas e meia a sua primeira manifestação como presidente eleito. Tinham feito um discurso cheio de economia. Ele achou que faltava outras coisas, entre elas as que o povo queria e precisava ouvir. Achei incrível ele jogar no lixo o discurso dos tecnocratas. Esta, aliás, pode ser uma excelente receita para dar o devido fim às bobagens dominante quando se fala em segurança pública e violência. É por isso que estamos nessa situação difícil. Lula vai precisar jogar muita coisa mais no lixo. Cinco detalhes iniciais, que todos precisam saber: 1-) a atual Secretaria Nacional de Segurança Pública é uma ficção. Sem estrutura, sem pessoal, sem espaço. Faz de conta total; 2-) idem, sem tirar nem por, a Secretaria Nacional de justiça; 3-) não é mais possível manter a Secretaria Nacional Anti-drogas nas mãos de um general de pijama. Primeiro porque a questão não é militar. Segundo porque exige conhecimento técnico e experiência, nada a ver com militar da reserva; 4-) a Polícia Federal, encarregada de apurar e reprimir os crimes contra a União, é pequena diante do país-continental. Está muito longe do que dela se exige e se espera; 5-) O Ministério da Justiça perdeu, ultimamente, a tradição de ter sempre um grande jurista na Pasta. FHC trocou oito vezes o ministro. É preciso restaurar o antigo e corroído prestígio.
A partir daí o leitor poderá fazer uma idéia das ''orientações'' para os Estados, que nunca é demais lembrar, são constitucionalmente autônomos. É preciso mexer fortemente nisso tudo. Para costurar a nova fase, Aloizio Mercante, senador petista eleito por São Paulo, me diz que fará ''o possível e o impossível'' para ajudar a mexer nas leis que possam ajudar a construir uma situação de mais segurança para os brasileiros. A mesma coisa me disse Romeu Tuma, o outro senador (PFL) paulista. Também estão animados os deputados federais Antonio Carlos Biscaia (PT), ex-procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, e a juíza aposentada Denise Frossard (PSDB), também do Rio, no sentido de aprimorar os tão necessários instrumentos legais. É o que prometem. Vamos guardar na memória, registrando que a rodada inicial de conversas, negociações e planos parece animadora.





