Brasil não vai rastrear receptores sangue importado
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quinta-feira, 08 de fevereiro de 2001
Agência Estado De Brasília 
Os pacientes brasileiros que usaram, em 1996 e 1997, hemoderivados importados da Grã-Bretanha produzidos com sangue de doadores que desenvolveram o mal da vaca louca não serão rastreados pelo Ministério da Saúde. Segundo o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Gonzalo Vecina, a identificação dos pacientes seria uma tarefa muito complexa. Além disso, não há teste para diagnosticar a doença. O ministério descarta qualquer risco de contaminação.
A agência foi informada em 22 de dezembro sobre a importação dos cerca de 19 mil frascos de albumina e 400 frascos de imunoglobulina da Grã-Bretanha. O produto foi comprado por 90 hospitais e serviços de saúde. Consultamos a Organização Mundial de Saúde, autoridades dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha para confirmar que não há hipótese conhecida de transferência da doença por transfusão de sangue, disse Vecina.
Ontem, o ministro da Saúde, José Serra, voltou a reiterar ontem que a versão humana da doença da vaca louca não existe no Brasil. O anúncio foi feito devido a informações veiculadas esta semana pelo jornal The Guardian de que o Brasil teria importado da Inglaterra sangue de doadores que estariam contaminados por uma forma humana da doença.
O ministério informou ontem que não há nenhum registro de que possa haver qualquer tipo de contaminação pelo sangue comprado da Inglaterra. O governo disse que desde 1998 não compra sangue desse país.
De acordo com o Ministério da Saúde, foram registrados no Brasil casos de uma outra variante da doença, conhecida desde 1920 e chamada Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ).
No entanto, essa doença não é a mesma detectada há alguns anos na Inglaterra e que foi transmitida pela carne de animais infectados com a chamada vaca louca. Precisamos deixar bem claro que não se trata da mesma doença para evitar um pânico injustificado na população, disse Serra.


