São Paulo, 17 (AE) - O Brasil não tem política pública para combater as deficiências nutricionais da população. É um dos poucos países do mundo onde inexistem leis que obrigam as indústrias a enriquecer alimentos de amplo consumo com ferro e/ou vitamina A. Mesmo os programas voltados a enriquecer apenas alimentos consumidos pela população de risco (crianças de creches e escolas públicas) são realizados de forma descontínua, embora, quando empreendidos, apresentem excelentes resultados a baixos custos.
Pesquisas do Banco Mundial (Bird) mostram que, na América Latina, só as deficiências de vitamina A, iodo e ferro são responsáveis por perdas de 5% do Produto Interno Bruto de cada país - e resolvê-las custaria menos de 0,3% desses PIBs. Estudos realizados com crianças de creches públicas e postos de saúde do Brasil indicam que os níveis de anemia e carência de vitamina A vêm aumentando nas últimas décadas, enquanto a incidência de obesidade cresce explosivamente, mesmo entre a população pobre. A conclusão dos especialistas é a de que os brasileiros comem demais e cada vez pior. (S.B.M.)

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