Brasília, 19 (AE) - O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer, disse hoje que o governo brasileiro decidiu não sacar a terceira parcela, ou tranche, do empréstimo de ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco de Compensações Internacionais (BIS) e Banco do Japão ao Brasil. De acordo com Gleizer, o País tinha até o dia 31 para sacar US$ 4,355 bilhões.
No entanto, ele ressaltou que o governo brasileiro poderá exercer o direito de fazer este saque a qualquer momento. "A lógica é que nós podemos realizar o saque à medida que estamos cumprindo as metas acordadas com o FMI", disse Gleizer.
Ele enfatizou que, neste momento, o governo considerou que não seria necessário fazer o saque, pois o fluxo de capitais para o País não foi interrompido. "Os fluxos continuam positivos", afirmou.
Desta parcela de US$ 4,355 bilhões, o diretor esclareceu que US$ 2,331 bilhões viriam do FMI, outro US$ 1,250 bilhão do BIS e o Banco do Japão entraria com US$ 174 milhões. Até o momento, o Brasil já sacou duas parcelas, no valor total de US$ 19,2 bilhões e pagou ao BIS e ao Banco do Japão o equivalente a US$ 1,3 bilhão.
"A lógica é essa: estamos entrando num período de normalidade em que não precisamos mais de uma linha de transição. Com isso, não realizamos os saques e efetuamos pagamentos", explicou Gleizer.
Câmbio - Em relação às fortes oscilações no mercado hoje
Gleizer disse acreditar que o mercado encontrará, em algum momento, uma taxa de equilíbrio para o câmbio. O diretor do BC afirmou, porém, que não acredita que durante todo o tempo o mercado aposte apenas na depreciação do câmbio.
"Em algum momento, alguém vai perceber que a economia está crescendo num nível acima do esperado, que a inflação está baixa, que estamos cumprindo as metas fiscais e que não haverá pressão no balanço de pagamentos para o ano que vem", disse Gleizer. "Com isso, alguém vai acreditar numa apreciação do real. Não é possível que todo mundo aposte apenas numa direção durante todo o tempo."
O diretor também comentou que não se pode esperar um efeito imediato sobre o mercado de câmbio das medidas anunciadas na quarta-feira pelo presidente do BC, Arminio Fraga, para dar mais liquidez no mercado. "Essas coisas levam tempo. O investidor lá fora tem de pegar essa informação e avaliar que vale a pena trazer recursos ao Brasil, já que não há mais a cobrança de imposto na entrada desses capitais", disse Gleizer.

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