Brasil não consegue cumprir meta de erradicar analfabetismo
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terça-feira, 07 de setembro de 1999
Por Demétrio Weber 
Brasília, 08 (AE) - O Brasil vai chegar ao fim da década longe de cumprir a meta de erradicar o analfabetismo, assumida em 1990, durante a Conferência Mundial de Educação para Todos, na Tailândia, apesar da redução do problema entre a população jovem. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que 14,6% da população acima de 15 anos não sabia ler nem escrever em 1996, o que equivale a cerca de 15 milhões de pessoas.
"É lamentável que o País entre no próximo século com um taxa de analfabetismo de dois dígitos", lamentou hoje, no Dia Internacional do Analfabetismo, o presidente do Conselho Nacional de Educação, Éfrem Maranhão. "Falta uma política nacional de combate ao problema". Segundo ele, a solução não passa apenas por ensinar essa parcela da população a ler e escrever, mas sim garantir o acesso pelo menos ao ensino fundamental (antigo 1.º grau). "Os jovens e adultos analfabetos são excluídos, pois até mesmo os empregos mais simples exigem um mínimo de conhecimento", observou. Desigualdades - A taxa de analfabetismo retrata também as desigualdades regionais: enquanto no Nordeste 28,7% da população acima de 15 anos não sabe ler nem escrever, no Sudeste essa taxa é de 8,7%. Mas o Brasil tem registrado avanços entre os jovens. Em 1997, segundo dados do IBGE, 5,7% da população de 15 a 19 anos era analfabeta, taxa que subia para 7,1%, na faixa de 20 a 24 anos, e 8,6% de 25 a 29 anos.
Entre os brasileiros com 50 ou mais anos, porém, essa taxa era de 31,6%. A melhor situação dos jovens é atribuída as crescimento nos últimos anos da matrícula no ensino fundamental, que subiu, de 1991 para 1998, de 86,1% para 95,8% da população entre 7 e 14 anos.


