Brasil não aceitará metas de redução
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quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Denise Chrispim Marin<br>Agência Estado 
Brasília- O Itamaraty reiterou ontem que o Brasil não aceitará metas de redução de emissões de gases do efeito estufa, posição cobrada por setores da sociedade e por membros da comunidade internacional. Também reforçou sua defesa da adoção de metas mais duras pelos países desenvolvidos. Essa é a posição inicial que será defendida pelo País na Conferência do Clima (COP-13), que ocorrerá em Bali entre os dias 3 e 14 de dezembro, de acordo com o embaixador Everton Vargas, subsecretário de Assuntos Políticos do Ministério de Relações Exteriores.
Para manter a pressão política sobre os Estados Unidos e outros países desenvolvidos, o Itamaraty tentará dobrar a oposição dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e, com isso, tornar possível a construção de uma posição comum do G-77+China em torno da proposta do Brasil. O grupo tem cerca de 150 membros. ''A Opep tem uma posição rígida contra metas de redução mais profundas nas emissões dos países industrializados. Teremos de fazer um esforço para alcançar o consenso'', disse Vargas hoje, em Brasília.
A composição do G-77, entretanto, indica que será difícil alcançar esse equilíbrio, uma vez que cada país impacta o planeta de uma forma diferente, assim como sentirá os impactos do aquecimento global de forma diferente.
Os países insulares, por exemplo, que correm o risco de sofrerem inundações por causa da elevação do nível médio dos oceanos, querem um corte profundo no novo regime internacional, que deve substituir o Protocolo de Kyoto, a partir de 2013. Os integrantes da Opep, como a Arábia Saudita, têm sua economia baseada no petróleo, um dos combustíveis fósseis responsáveis pela liberação do principal gás-estufa, o CO2. Eles pedem uma compensação financeira pelas perdas que sofrerão com uma economia não mais baseada no óleo.
Já a China, que disputa com os Estados Unidos a posição de maior lançador global de gases-estufa na atmosfera, é alvo de pressões fortes para reduzir o crescimento de suas emissões. Há a possibilidade de os chineses construírem um acordo paralelo com os mais ricos, especialmente com os americanos.
No Relatório de Desenvolvimento Humano 2007-2008, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) defendeu um corte de 80% nas emissões dos países industrializados até 2050, com a redução de 30% até 2020.


