Brasil movimenta 0,9% do comércio mundial
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por João Caminoto 
Londres, 13 (AE) - O Brasil foi responsável por 0,9% das importações e exportações mundiais de produtos em 1999, segundo o relatório da Organização Mundial do Comércio divulgado hoje em Genebra. Os Estados Unidos movimentaram 12,4% das exportações mundiais, com um volume de vendas de US$ 695 bilhões de dólares. Em seguida, vieram a Alemanha, Japão, França e Reino Unido. Os americanos também lideram o ranking de países importadores, com um volume de US$ 1,05 trilhões, ou 18% do total global. Os outros principais países importadores foram a Alemanha, Reino Unido, Japão e França.
Segundo a OMC, as exportações dos países em desenvolvimento aumentaram 8,5% no ano passado, num ritmo cerca duas vezes superior à média mundial. Ao longo de toda a década de 90, o crescimento das exportações dos países em desenvolvimento sempre superou a média mundial, com exceção de 1998. Em 1999, a participação desses países foi de 27,5% nas exportações de produtos e 23% na exportação de serviços.
O setor de serviços viveu uma pequena aceleração em 1999. "A recuperação na ásia e o intenso crescimento nos Estados Unidos foram parcialmente ofuscados pelo crescimento menor na Europa Ocidental e a contração das importações na América Latina e nas economias em transição", disse a OMC.
AMÉRICA LATINA - Em 1999, a América Latina registrou a sua pior performance econômica da última década. A produção da região ficou estagnada e o volume de importações de produtos caiu 2%. "Pelo menos oito países registraram um produção inferior à do ano anterior. A exemplo de 1998, viu-se uma enorme diferença entre o ritmo de crescimento do comércio do México e dos outros países da América Latina juntos. Enquanto as importações e exportações do México cresceram mais de 20% ao longo dos últimos dois anos, outros países latino-americanos registraram uma queda de 8% nas exportações e quase 15% nas importações." Segundo a OMC, esse desnível é causado pelas diferenças na estrutura das exportações.
Os produtos manufaturados representam 85% das exportações do México, mas apenas 40% no restante da América Latina. Os produtos manufaturados tiveram preços mais estáveis do que as commodities. Além disso, as exportações do México foram canalizadas para o efervescente mercado norte-americano (quase 90%) enquanto os outros países da América Latina embarcam menos de 30% de suas exportações para os Estados Unidos. "O comércio interno do Mercosul sofreu uma contração de cerca de 25%, pois a produção do países-membros caiu ou ficou estagnada."
PERSPECTIVAS - Segundo a OMC, a produção econômica deve crescer 3,5% neste ano - o crescimento em 1999 foi de 3%. O volume do comércio mundial deve aumentar 6,5%. "É possível que esse aumento seja ainda maior, principalmente se a demanda na Europa Ocidental e no Japão crescer mais do que o previsto."
Neste ano, o crescimento do PIB dos países industrializados poderá ter uma expansão de 3%, ou 1,5% mais do que em 1999, pois a pequena desaceleração econômica nos Estados Unidos está sendo amplamente compensada pelo maior crescimento na Europa Ocidental e no Japão. "A América Latina e Oriente Médio, poderão ter uma forte retomada no crescimento de seus PIBs após a estagnação de 1999" avalia a OMC, que alerta no entanto que uma aguda correção nos mercados acionários, aliada à desaceleração da demanda nos Estados Unidos, poderá alterar muito as previsões do comércio mundial neste ano.
"Notem, por exemplo, que o déficit da balança comercial dos Estados Unidos em 1999 foi de aproximadamente US$ 350 bilhões, valor superior ao total das importações do Japão. Um ajuste abrupto dos atuais desequilíbrios externos poderá representar um grande perigo ao crescimento comercial no futuro próximo".


