Brasília, 17 (AE) - O governo brasileiro resolveu manter a suspensão de importações de arroz com casca do Uruguai por tempo indeterminado. A decisão foi tomada pelo Ministério da Agricultura porque testes laboratoriais realizados com um antisoro, cuja metodologia é a mesma usada em testes de DNA, concluídos ontem, comprovaram a presença da bactéria xanthomonas oryzae pv.oryzae no produto.
Segundo o diretor substituto do Departamento de Defesa de Inspeção Vegetal do Ministério da Agricultura, Odilson Ribeiro, nos dias 27, 28 e 29 deste mês haverá uma reunião do Conselho de Sanidade Vegetal do Cone Sul, em Buenos Aires,quando o assunto será discutido. Na ocasião, conforme ele, deverá ser acertada a realização de uma reunião bilateral entre Brasil e Uruguai para discutir as exigências que o governo brasileiro poderá fazer para que as importações continuem a ser feitas.
Ribeiro informa que os técnicos do Ministério da Agricultura já estão consultando bactereologistas para saber quais as medidas fitossanitárias que o Brasil terá que exigir para evitar a contaminação pelo arroz uruguaio, caso resolva manter as importações. Uma das medidas, por exemplo, poderá ser a certificação de uma área de produção no Uruguai, pelo Brasil, para garantir que o arroz lá cultivado está isento de contaminação.
Segundo Ribeiro o arroz contaminado entrou pelo Rio Grande do Sul, em uma carga que foi destruída em setembro do ano passado. A destruição foi possível,conforme ele, porque os técnicos do ministério fizeram um rastreamento completo do arroz importado no Estado.
As amostras do arroz foram coletadas por técnicos do Ministério da Agricultura na fronteira entre os dois países, quando o produto estava entrando no Brasil. Na ocasião, teste feito pela Universidade Federal de Pelotas constatou a presença da bactéria, o que fez com que a secretaria de Defesa Agropecuária da região determinasse a suspensão das importações.
Em novembro técnicos da Embrapa de Pelotas e do Centro Nacional de Pesquisa em Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen) inciaram os testes nos laboratórios de Fitobacteriologia da Universidade Federal de Pelotas para detectar qual o tipo de contaminação existente no arroz em casca importado do Uruguai. Mas somente na semana passada chegou ao Brasil, proveniente da Europa, o material que deveria ser usado (anti-soro) para identificar o tipo de bactéria.
Os testes laboratoriais com base na metodologia do DNA foram feitos pela Embrapa Clima Temperado, em Pelotas/RS e foram relizados por duas equipes, uma brasileira e outra uruguaia, e contaram ainda com a participação de um representante da embaixada do Uruguai, no Brasil. Antes dos exames conclusivos, porém, um grupo de técnicos dos ministérios do Brasil e do Uruguai já haviam isolado colônias de bactérias a partir de amostras de arroz que ficaram lacradas em laboratório até o início dos testes.
A decisão de usar metodologia do DNA foi acertada entre os técnicos em novembro passado, depois de o Brasil e o Uruguai terem realizados testes independentes e não terem chegado a um consenso sobre os resultados.

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