Brasil manda primeiros seres vivos ao espaço
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quinta-feira, 04 de março de 1999
por Júlio Ottoboni 
São José dos Campos, SP, 5 (AE) - O Brasil lançará entre o dia 15 e 18 deste mês, o primeiro foguete nacional com experimentos de universidades brasileiras. A operação ocorrerá entre às 6 e 12 horas, da Base de Lançamentos de Alcântara, no Maranhão. O Veículo de Sondagem-30 (VS-30) seguirá para o espaço com várias pesquisas no campo científico e tecnológico, inclusive de entidades estrangeiras. Essa missão traz uma peculariedade, pois é a primeira vez que um foguete espacial do País levará seres vivos a bordo.
Os primeiros tripulantes de um vôo espacial brasileiro são quatro planárias, pertencentes as pesquisas da Universidade do Vale do Paraíba (Univap). A pesquisadora Nádia Campos Velho observa a regeneração destas parasitas, facilmente encontrados nos rios da região sul e sudeste, onde atuam como bio-indicadores da qualidade da água. Os animais vão acondicionados num pequeno módulo, que ficará junto com outros semelhantes num dos anéis da carga útil do VS-30.
A Operação São Marco faz parte do Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae). Essa também é uma das etapas estabelecidas pela Agência Espacial Brasileira (AEB), que procura abrir oportunidades para as institucionais de ensino superior do País nesta área. Os experimentos inscritos neste vôo fazem parte do projeto Universidade no Espaço. É uma operação sui generis por causa desta participação, comentou o diretor do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), coronel Mozart Lousada Júnior.
A AEB consegue, desta forma, contornar os elevados custos para inserir qualquer estudo universitário em missões do ônibus espacial da Administração Nacional de Espaço e Aeronáutica (Nasa) ou em estações espaciais. Na grande maioria dos casos, isto tornaria inviável as pesquisas em situação de microgravidade. A Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) está enviando o projeto Imobilização de Lipases a custo zero. Para nossa instituição essa é uma oportunidade única e histórica, observou o professor Alessandro La Neve, o VS-30 levará ainda experimentos da Universidade de São Paulo (USP) sobre cristalização de fármacos em ambiente de microgravidade, e um protótipo de giroscópio do Centro Técnico Aeroespacial (CTA). As cargas internacionais são da Cornestones e Soluction Company (EUA), Companhia Espacial Portuguesa, Universidade do Estado de Oregon (EUA), Spaceliner, Inc. (Israel), e dois experimentos técnicos da ITA Inc.(EUA).
Também segue a bordo um instrumento de sinalização da Deutsches Zentrum fur Luft-und Raumfahrt-Mobile Raketenbasis (Alemanha). O tempo de subida e queda do VS-30 é estimado em 15 minutos. Neste período, ele chegará a 160 quilômetros de altura, numa velocidade de 1654 metros por segundo. Seu comprimento é de oito metros e seu peso total de 1,4 toneladas. A carga útil pesa 281 quilos. O foguete usa como combustível propelente sólido. Ele é praticamente o terceiro estágio do Veículo Lançador de Satélite (VLS), explica o coronel Lousada. A carga útil do foguete será recuperada no Oceano Atlântico, na costa do Maranhão, a cerca de 120 quilômetros de seu ponto de partida.
Dois helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB) devem resgatar a cápsula em 12 minutos, nas proximidades da Ilha de Santana. O índice de sucesso deste artefato é considerado muito alto pela aeronáutica. O VS-30 já foi utilizado por vários países para esse tipo de atividade, entre eles Alemanhã e Noruega. Sua taxa de nacionalização supera 95%.


