Buenos Aires, 02 (AE) - Metade das importações denunciadas por "práticas desleais" na Argentina são provenientes do Brasil. Isso é o que indica um relatório da Secretaria de Indústria e Comércio argentina. Segundo o relatório, de um total de US$ 288 milhões envolvidos nas denúncias por práticas de dumping e subsídios, US$ 139,7 milhões são referentes ao Brasil, ou 48,4% das investigações. O segundo colocado é a China, com produtos envolvendo US$ 53 milhões, e constituindo 18,5% das investigações.
O relatório será levado à reunião de Montevidéu pelo governo argentino como reforço de seu argumento de que do total de importações provenientes do Brasil, o volume atingido é pequeno. Segundo o Centro de Economia Internacional, dependente da Chancelaria local, no ano passado a Argentina importou do Brasil o equivalente a US$ 7,05 bilhões.
As investigações sobre dumping e subsídios são realizadas pela Comissão Nacional de Comércio Exterior, que desde 1994, recebeu pedidos para averiguações de 110 casos com países de todo o mundo. Do total de casos de países de todo o mundo, 78% referem-se a dumping, 11% sobre salvaguardas, e o resto, de subvenções. Dos 110 pedidos, foram aceitos 68, dos quais houve 29 resoluções a favor dos solicitantes argentinos.
Destas, 10 concernem a produtos provenientes do Brasil, envolvendo têxteis, aço, produtos petroquímicos e componentes eletrônicos.
A Comissão anunciou que em um máximo de 45 dias anunciará se aplicará direitos anti-dumping definitivos à importação de aço laminado a quente proveniente do Brasil. REMOÇÃO DE MEDIDAS DA ALADI - Apesar da remoção da resolução 911
que regulamentava as salvaguardas da Aladi, os argentinos não desistiram de tomar no futuro alguma espécie de medidas protecionistas. O subsecretário de Comércio Exterior, Félix Peña
anunciou que "nenhum país que tenha problemas em um setor deixará de tomar as medidas legais que possam ser tomadas, e nosso setor de calçados possui problemas".
O subsecretário, pivô principal do lado comercial de uma crise que também teve aspectos políticos, como a decisão argentina de solicitar a entrada na OTAN, disse que o acordo entre os empresários de calçados dos dois países não foi conseguido porque o setor brasileiro teria se recusado a concordar com restrições voluntárias de vendas à Argentina.
Peña também afirmou que a remoção das salvaguardas da Aladi foi o único compromisso assumido na breve cúpula Menem-FHC da semana passada. "O tema dos têxteis nem sequer foi tocado, e o próprio chanceler Lampreia indicou que isso vai ser tratado no marco do ATV (Acordo de Têxteis e Vestuário) da OMC".

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