Brasil lava dinheiro no Caribe, Paraguai, Uruguai e nos EUA
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quarta-feira, 22 de outubro de 1997
Renato Lombardi Agência Estado 
A lavagem de dinheiro pelos traficantes, contrabandistas de armas e autores de golpes no sistema bancário, os criminosos do colarinho branco, do Brasil e dos países da América do Sul é feita no Paraguai, Uruguai, Caribe e Estados Unidos. Por ano são lavados bilhões de dólares com a ajuda da corrupção. A afirmação foi feita pelo senador Romeu Tuma (PFL-SP), vice-presidente da Interpol, aos representantes de 177 países durante a 66ª Reunião Anual da Interpol, que terminou anteontem, em Nova Délhi, Índia.
Os participantes definiram a lavagem como qualquer tentativa ou atividade de ocultação ou disfarce de fundos obtidos ilegalmente, com o objetivo de fazê-los parecer de origem legal. Várias resoluções foram tomadas pelos integrantes da Interpol, uma delas será a cooperação policial internacional no combate ao crime organizado.
Tuma explicou como as autoridades brasileiras descobriram a lavagem de dinheiro a partir das investigações feitas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Precatórios, do Senado. Todos se mostraram interessados em participar de um movimento mundial contra esse tipo de crime que alimenta os outros delitos, afirmou o senador. O senador se comprometeu a lutar no Senado para apressar a legislação brasileira sobre a lavagem.
As investigações da CPI dos precatórios e da Polícia Federal vieram comprovar aquilo que a Interpol desconfiava havia anos sobre o esquema de lavagem de dinheiro no Brasil e países vizinhos. Para Tuma, deve-se criar condições para que os criminosos sintam que o confisco de seus bens será inevitável, tanto os conseguidos de forma criminosa como aqueles obtidos através de fraude pública.
Contas anônimas Depois de seis dias de discussões e sugestões, os representantes da Interpol decidiram dar maior destaque às contas bancárias anônimas relacionadas com as atividades ilícitas, principalmente do tráfico de drogas e contrabando de armas. Para isso, a Interpol vai sugerir aos governos que eliminem os obstáculos que impeçam ou retardem o intercâmbio de informações financeira e criminal entre os setores envolvidos na apuração, salientou Tuma.
Outra recomendação feita foi de que os governos devem dar todo o apoio às técnicas em investigação como infiltração, escuta telefônica e entregas controladas. Devem permitir aos tribunais que considerem as provas indiretas ou circunstanciais da origem ilícita de capitais, ofereçam proteção e garantam o anonimato de testemunhas em casos de lavagem de dinheiro. A Interpol quer ainda que na medida do possível seja dada imunidade processual, redução das penas e que se ofereça proteção aos cúmplices que testemunhem em casos de atividades ilícitas.


