Brasil lança o VLS amanhã, no Maranhão
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sexta-feira, 24 de outubro de 1997
Júlio Ottoboni Agência Estado 
A Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Ministério da Aeronáutica confirmaram ontem o lançamento do Veículo Lançador de Satélites (VLS) amanhã, da Base de Lançamentos de Alcântara (MA). A expectativa é grande, pois é a primeira vez que o Brasil utiliza um conjunto totalmente desenvolvido em seus institutos para pôr um satélite em órbita. O lançamento será após as 8 horas (hora de Brasília).
A partir de domingo o Brasil entra no fechado grupo de nove nações detentoras de tecnologia de veículos capazes de pôr satélites em órbitas. É o primeira país latino-americano a conseguir isso. Antes de aderir ao Tratado de Controle de Tecnologia de Mísseis, o Brasil sofreu uma série de boicotes dos
integrantes do G-7.
O lançamento faz parte da Missão Espacial Brasileira (MECB), que nos últimos 10 anos conseguiu concluir parte de seus objetivos com a construção do centro de Alcântara, o VLS e a família de satélites de monitoramento ambiental. O lançamento deste foguete abre também a possibilidade do Brasil passar a ser um fornecedor de serviços espaciais e de efetuar parcerias neste setor com vários países europeus, asiáticos e africanos.
O VLS-1 é um protótipo de quatro exemplares que serão testados para qualificar comercialmente o produto no mercado internacional. O satélite que será levado na coifa do foguete é denominado Satélite de Coleta de Dados-2A (SCD-2A), construído pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A MECB é coordenada pela AEB e integra o Centro Técnico Aeroespacial (CTA) e o Inpe, com quem desenvolve produtos e tecnologia espacial.
Pesquisa nuclear O Instituto de Pesquisa Especial do Ministério do Exército, que atua na área da energia nuclear, será transferido do Rio de Janeiro para a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). A informação foi dada ontem pelo coronel Mário Andreuzza, da SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), subordinada à Presidência da República. Andreuzza declarou que a transferência, já autorizada, pode ser o embrião da implantação de uma usina nuclear no Sul. O coronel disse acreditar que a instalação de uma usina nuclear no Estado gaúcho não ocorreria antes do ano 2020.


