Brasil lança novo bonus global para troca de dívida e dinheiro novo
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quarta-feira, 06 de outubro de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 07 (AE) - O Brasil vai emitir um novo título global para troca de dívida velha e também captação de dinheiro novo. Com prazo de dez anos, o novo papel a ser lançado pelo governo brasileiro terá vencimento em 2009 e pagará juros semestrais. O valor mínimo da emissão será de US$ 1 bilhão enquanto o limite máximo para a captação é de US$ 500 milhões. Isso significa que o Brasil poderá receber bônus de dívida antiga ou dinheiro em pagamento do novo papel.
Se a operação for de US$ 1 bilhão, por exemplo, até US$ 500 milhões o País aceita receber em dinheiro enquanto os outros US$ 500 milhões terão que ser em troca de papéis de dívida antiga. Segundo explicações de técnicos do Banco Central, na troca só serão aceitos alguns tipos de "bradies" brasileiros, títulos que foram emitidos pelo Brasil em 1994, quando a dívida externa foi renegociada com desconto. O objetivo principal da operação, segundo um técnico, é ter papéis de dívida externa mais fáceis de negociar. Ou seja, mais líquidos.
Ainda de acordo com os técnicos, as ofertas para a compra do novo papel foram abertas hoje em Nova York e só serão encerradas às 15 horas do próximo dia 15. Na segunda-feira seguinte serão anunciadas as propostas. Depois de feitas estas propostas, o governo brasileiro informará os preços que vai aceitar pelos papéis velhos. Ao mesmo tempo também indicará o valor do novo título. A liquidação das operações só ocorrerá cinco dias depois.
São três as opções a serem oferecidas aos investidores: na primeira, poderão adquirir o novo papel dando um título antigo em troca. A segundo opção é comprar o papel brasileiro pagando em dinheiro. Nesta hipótese, no entanto, o valor máximo que o Brasil aceitará é US$ 500 milhões. Isso corresponde ao limite que o País quer aumentar a sua dívida externa com o lançamento do novo bônus.
Na terceira opção, segundo um técnico, um mesmo investidor poderá fazer os dois tipos de operação. Ele poderá comprar os novos papéis pagando uma parte deles com títulos antigos e outra parte com dinheiro. "Se este investidor acredita no Brasil ele pode tanto trocar, como também adquirir os novos bônus pagando em dinheiro", afirmou um assessor do presidente do BC, Armínio Fraga.
Esta é a terceira operação de troca de dívida que o Brasil faz. Em 1997, o País trocou um total de US$ 3,5 bilhões de dívida que estava em papéis antigos por bônus globais. Em abril deste ano, o Brasil voltou a lançar papéis globais no valor de US$ 3 bilhões. Deste total, US$ 2 bilhões foram para captação de recursos no exterior, enquanto a diferença de US$ 1 bilhão foi destinada à troca.
De acordo com os técnicos, os novos papéis são integralmente risco Brasil. Ou seja, não terão outras garantias. Dois dos papéis autorizados para serem usados em troca dos novos
no entanto, têm garantia do Tesouro dos Estados Unidos. São eles os bônus ao par e os bônus com desconto. Assim, fazendo a troca o Brasil poderá liberar as garantias correspondentes ao valor trocado. Os títulos americanos estão depositados no Banco para Compensações Internacionais (BIS).
Também serão aceitos os bônus de capitalização, denominados no mercado de C-Bonds, e ainda os bônus de conversão de dívida. O total passível de troca chega a US$ 26,8 bilhões, mas os técnicos do BC advertem que a operação total ficará muito abaixo deste valor.


