Brasil lança bônus no mercado europeu
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sexta-feira, 14 de janeiro de 2000
Por Vânia Cristino 
Brasília, 14 (AE) - O Banco Central anunciou hoje o lançamento de bônus no mercado europeu. A emissão do novo bônus em euro, com prazo de 10 anos, que totalizou 750 milhões, começou pela manhã, quando o BC lançou 500 milhões. No meio da tarde o BC confirmou que a emissão original tinha sido ampliada em 250 milhões.
Em nota oficial, o Banco Central explicou as características do papel. O cupom (juro nominal) é de 11% ao ano. O título, com vencimento em 4 de fevereiro de 2010, foi emitido com um spread de 5,74% ao ano acima do título europeu de referência (Bound 5,375% com vencimento em janeiro de 2010). A emissão foi feita ao preço de 98,54, resultando numa taxa de retorno para o investidor de 11,25% ao ano.
O diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, comemorou o lançamento que, na sua avaliação, foi um sucesso. "A demanda foi bastante relevante para títulos brasileiros no mercado europeu", disse. De acordo com Figueiredo isso ficou claro porque a emissão foi reaberta poucas horas depois, com o Brasil oferecendo 50% de títulos a mais. Figueiredo também classificou de bastante competitivo o spread da operação.
Figueiredo não deu qualquer previsão para um novo lançamento. "O Brasil não tem necessidade de fazer uma captação muito forte", lembrou. De acordo com o diretor, as captações serão tópicas, sempre que o País vislumbrar uma oportunidade e a demanda for forte. Segundo Figueiredo, os recursos oriundos da emissão deverão ingressar no País dentro de 15 dias.
Trata-se do primeiro lançamento do ano e, segundo o BC foi feito com o objetivo de estender a curva de rendimentos do Brasil no mercado de euro e criar um novo ponto de referência para futuras emissões. O último lançamento de papéis realizado pelo Brasil no mercado externo ocorreu no final de novembro passado, quando foram emitidos 600 milhões em euros com prazo de sete anos. Com prazo de 10 anos, a última emissão no mercado de euros ocorreu em abril de 1998, bem antes da crise da Rússia, no volume de 750 milhões.
A operação de lançamento dos títulos brasileiros foi feita pelo Deutsche Bank e pelo Paribas. O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer, já tinha dito bem antes do lançamento que o País procuraria captar, este ano, entre US$ 4 e US$ 6 bilhões no mercado externo. Os pagamentos este ano, de responsabilidade do governo brasileiro, são da ordem de US$ 3,9 bilhões.


