Brasil gastou R$ 56 bilhões com acidentes no trânsito em 2014
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 

Levantamento do Observatório Nacional de Segurança Viária, divulgado nesta quinta-feira (17), mostra que o Brasil perdeu R$ 56 bilhões com a violência no trânsito em 2014, ano em que 43.780 pessoas morreram vítimas de acidentes. O número é 2% maior que o registrado em 2013. O Paraná aparece em terceiro lugar no ranking de mortes por acidentes. Em 2014, foram 3.076 óbitos, atrás apenas de São Paulo (7.032) e Minas Gerais (4.396). Os três Estados concentraram um terço das mortes registradas no Brasil naquele ano.
Para José Aurélio Ramalho, presidente do Observatório, o aumento do número de acidentes de trânsito no Brasil é preocupante, pois o País registrou um aumento de 23% nos óbitos com relação a 2004, quando foram registradas 35 mil mortes no trânsito. "E nesse período não foi feito praticamente nada em caráter educacional para mudar essa realidade. Houve aumento de fiscalização e no valor da penalização, mas isso não faz mudar a percepção de risco dos motoristas", disse.
De acordo com José Tiago Bastos, professor de Segurança Viária da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e responsável pela pesquisa do Observatório, o valor de R$ 56 bilhões contabiliza todo o custo social com os acidentes de trânsito, considerando desde o gasto com atendimento médico (resgate, tratamento hospitalar, reabilitação), infraestrutura (conserto de equipamentos de trânsito danificados com o acidente e custos do atendimento da polícia e bombeiros) até perdas de produção (custo previdenciário e a impossibilidade do acidentado de trabalhar).
Segundo as contas do Observatório, o valor utilizado para pagar os custos com as mortes e tratamento das vítimas de acidente de trânsito no País corresponde a todo o repasse do governo federal para todos os Estados da Região Norte mais Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. A mesma quantia seria suficiente para a construção de 28 mil escolas de educação básica, ou 1,8 mil novos hospitais. "Tudo isso poderia ser realidade se a violência no trânsito não sequestrasse todo ano esses recursos para pagar os custos das mortes e tratamentos das vítimas e sequelados nas vias", expôs Bastos.
O inspetor Fernando Oliveira, porta-voz da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Paraná, comenta que os dados são alarmantes. Ele frisa que, nos trechos de rodovias federais que cortam o Estado, 778 pessoas morreram em 2014. Apesar de registrar uma redução de 24,8% de letalidade em 2015, quando 585 perderam a vida nas estradas federais, Oliveira considera os números muito elevados. "Recentemente, tivemos um endurecimento da lei, com multas mais pesadas. É uma iniciativa válida, mas que não pode ser única. As ações de educação no trânsito são fundamentais", avaliou.
Segundo Oliveira, cinco comportamentos são responsáveis pela maioria dos acidentes graves: velocidade incompatível, falta de atenção, ingestão de álcool, ultrapassagem em local indevido e desobediência da sinalização. Em 2015, das 585 mortes, 23% dos casos ocorreram em atropelamentos e 15% eram ocupantes de motos. "Os pedestres e os motociclistas são os mais frágeis do trânsito. Mesmo quando não há mortes, muitas vezes os ferimentos são irreversíveis", relatou. (Com Agência Estado)


