Brasil gastou R$ 21 bilhões com tratamento de fumantes
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quinta-feira, 31 de maio de 2012
Danilo Marconi <br> Reportagem Local 
Londrina - A Aliança de Controle do Tabagismo apresentou ontem, Dia Mundial Sem Tabaco, estudo revelando que só no ano passado foram gastos R$ 21 bilhões em saúde pública e privada para tratamento de pessoas com doenças relacionadas ao fumo. O montante representa 30% do valor destinado ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Os números impressionam. No País, 25 milhões de pessoas fazem uso diariamente de cigarros. ''Há pouco mais de 30 anos havia um incentivo ao fumo com campanhas maciças de propagandas que influenciavam a população. O governo não colocava limites, afinal ele arrecadava muito mais com impostos do que com tratamento de pacientes. Agora houve a inversão da conta'', comentou o médico pneumologista Denison Noronha Freire.
O militar da reserva Jorlando de Freitas lembra bem daquela época. Ele começou a fumar na juventude e logo passou a ter problemas de saúde, motivo pelo qual abandonou o vício. ''Certa vez contraí uma gripe que não passava nunca. Percebi que o gosto do cigarro mudava e então decidi suspender o fumo. Foi quando melhorei e então não coloquei mais um cigarro na boca. Hoje não suporto nem o cheiro'', disse. A fumaça do cigarro contém mais de 4,7 mil substâncias tóxicas, incluindo arsênico, amônia, monóxido de carbono dentre outros.
A pesquisa também apontou que o tabagismo foi responsável por 130 mil mortes no ano passado (350 por dia), 13% do total registrado em todo o Brasil. ''Os consultórios vivem cheios, 80% das pessoas que fumam vão apresentar problemas respiratórios no futuro'', garantiu o pneumologista.
Dados do Ministério da Saúde indicam que o percentual de fumantes no País passou de 16,2% em 2006 para 14,8% no ano passado. É a primeira vez que o índice fica abaixo dos 15%.
Uma outra pesquisa da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada em abril, indica ainda que a frequência de fumantes continua maior entre os homens: 18,1% contra 12% entre as mulheres. Mesmo assim, a população masculina lidera os números sobre a redução do tabagismo no País, já que 25% deles declararam ter deixado de fumar, contra 19% entre pessoas do sexo feminino.
''As mulheres têm mais dificuldade para abandonar o vício em função de questões hormonais, psicológicas e psiquicas. Isso é comprovado'', disse Denison Freire.
Simone Alves sabe das consequências que o cigarro traz para sua saúde e mesmo assim passou a fumar no ano passado. ''Meu primeiro trago foi numa balada. Todas as meninas da roda fumavam e acabei experimentando. Achei ruim na hora, fedido e mesmo assim continuei. Não me considero uma dependente, mas é um grande companheiro. Estou com 24 anos e tenho conhecimento do mal e vou parar por consciência'', afirmou a caixa.
Enquanto concedia entrevista, o cigarro que estava na mão acabou. Ao se despedir da reportagem, ela acendeu outro para falar com a amiga ao telefone.(Com Agência Brasil)



