Brasília, 05 (AE) - O Brasil vai gastar US$ 10,477 bilhões das reservas internacionais para quitar empréstimos de curto prazo do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco para Compensações Internacionais (BIS) e do Banco do Japão (BOJ). Os recursos são referentes ao pacote de ajuda de US$ 41,5 bilhões que as instituições emprestaram ao Brasil no final de 1998. O Brasil ficará devendo somente US$ 1,827 bilhão da linha de longo prazo do FMI. Segundo explicou o diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer, o dinheiro foi emprestado numa emergência para o Brasil enfrentar um momento de crise e agora não é mais necessário.
Além do pagamento dos empréstimos, o governo conseguiu, na quinta revisão do acordo com o FMI, reduzir de US$ 29,8 bilhões para US$ 25 bilhões o piso das reservas internacionais líquidas. Isso quer dizer que o Banco Central aumenta seu poder de intervenção no mercado de câmbio para evitar oscilações na taxa diária, num valor de aproximadamente US$ 4,8 bilhões. O diretor do BC lembrou, entretanto, que nas últimas vezes em que entrou no mercado o banco não vendeu reservas, e sim aumentou para evitar quedas bruscas no câmbio.
Hoje já foram pagos US$ 4,386 bilhões ao FMI e no próximo dia 12 serão pagos outros US$ 2,449 bilhões. No mesmo dia, o governo brasileiro enviará ao BIS e ao BOJ o total de US$ 3,642 bilhões, sendo US$ 3,446 bilhões de principal e US$ 196 milhões em juros. Gleizer assegurou que, embora o governo tenha optado por permanecer com a opção de lançar mão da linha de longo prazo do FMI, também conhecida como stand by, a idéia é não sacá-la. Nesta linha, o Brasil sacou um total de US$ 10,599 bilhões mas pagou US$ 1,937 bilhão em dezembro e com os pagamentos deste mês vai amortizar US$ 8,771 bilhões. "Poderíamos sacar mais US$ 1,096 bilhão e não vamos fazê-lo", destacou o diretor do BC.
Embora abril seja um mês pressionado pelos pagamentos ao exterior, Gleizer disse que o governo não tem preocupação em fazer o pagamento porque o desempenho da economia está bom, os resultados das contas internas e externas do País estão sólidos. Com isso, assegurou, o Brasil tem tido facilidade de obter outros tipos de recursos no exterior, como aqueles captados com o lançamento de papéis da República. Até agora, segundo ele, já foram captados US$ 3,4 bilhões enquanto as necessidades de pagamento deste ano correspondem a US$ 3,9 bilhões. "É a tranquilidade que prevalece", garantiu o diretor. Sobre o impacto nas reservas internacionais, Gleizer lembrou que o câmbio flutuante faz com que o País não tenha necessidade de reservas muito altas.
Na revisão do acordo com o FMI foram mantidas as metas trimestrais de inflação. O BC preferiu não alterar, mas negociou uma fórmula que lhe permite ultrapassar as metas sem, no entanto
ter que renegociar com o FMI. Para isso, terá uma folga de um ponto percentual além da meta fixada. Esse mecanismo deverá ser usado pelo governo no terceiro trimestre do ano, quando a inflação deverá superar os 6,5% previstos no acordo porque a taxa desse ano será contaminada por um percentual de inflação elevado registrado em outubro do ano passado. Se a taxa ficar dois pontos percentuais acima do previsto, o Brasil será obrigado a renegociar com a diretoria do Fundo, mas se ficar apenas um ponto, bastará uma consulta aos técnicos.
Também na revisão, a meta de fechar o terceiro trimestre do ano com um superávit primário (não inclui a conta de juros) correspondente a R$ 29 bilhões nas contas do setor público consolidado foi transformada numa exigência do FMI. Em relação ao resultado da balança comercial, os técnicos do Fundo aceitaram a substituição da estimativa de superávit de US$ 5 bilhões para US$ 4 bilhões este ano.

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