São Paulo - O rol dos santos católicos ganha hoje o primeiro representante genuinamente brasileiro. Passados 185 anos de sua morte, o paulista Frei Santo Antônio de Sant' Ana Galvão será canonizado numa megamissa campal em São Paulo, pelo papa Bento XVI.
Até hoje, os brasileiros tinham apenas a Santa Madre Paulina de quem orgulhar-se. Apesar de ter feito todo seu trabalho religioso no Brasil, ela nasceu na Itália. Frei Galvão é um santo 100% nacional - nasceu em Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, e viveu em São Paulo.
É raro que a Igreja realize cerimônias de canonização no país do santo. A tradição é que as missas sejam celebradas no Vaticano. Outra novidade será o português na celebração, no lugar do latim. Somente no final da missa, no chamado rito de conclusão, Bento XVI falará em latim.
A cerimônia será rezada no Campo de Marte, um aeroporto localizado na zona norte de São Paulo que recebe apenas aviões pequenos e helicópteros. Deverá ser o evento mais concorrido dos cinco dias da visita do papa ao Brasil. Espera-se a presença de pelo menos 1 milhão fiéis.
O processo até a canonização foi longo. A causa da beatificação foi iniciada em 1938. Para tornar-se beato, é necessário que o Vaticano reconheça um milagre atribuído ao postulante. Para tornar-se santo, é preciso um segundo milagre.
A Santa Sé é rígida. Para reconhecer os milagres, consulta um grupo de médicos especialistas de fora da Igreja, que precisam atestar que a cura em questão não tem explicação na ciência. Até o ano 996, as próprias dioceses tinham liberdade para fazer as canonizações que bem entendessem. A partir daquele ano, a prerrogativa passou a ser exclusiva do papa. Por volta do século 15, a Santa Sé passou a exigir um milagre. No século 18, aumentou a exigência e começou a pedir dois milagres.
No caso de Frei Galvão, o primeiro milagre ocorreu em 1990. Uma menina de São Paulo estava internada numa UTI e já havia sido desenganada pelos médicos. Curou-se sem explicação. Com fé, sua família havia pedido a cura a Frei Galvão. O Vaticano reconheceu o milagre e canonizou o frade em 1998.
O segundo milagre veio em 1999. Uma gravidez de altíssimo risco, que tinha tudo para ter as piores consequências para a mãe e para o bebê terminou praticamente sem problemas. O único problema foi a criança ter nascido com uma doença grave. Ele se curou logo em seguida, também sem explicação. É por causa desse milagre que Frei Galvão será elevado ao status de santo hoje.

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