San José, 05 (AE) - Em uma reunião de cúpula de oito presidentes dos países da América Central, o presidente Fernando Henrique Cardoso selou hoje na capital da Costa Rica um marco decisivo rumo à maior presença do Brasil na região. O principal objetivo dessa aproximação é somar forças para enfrentar as negociações no âmbito da área de Livre Comércio das Américas (Alca), que reunirá todo o continente americano a partir de 2005. Além disso, o governo brasileiro aumentou o número de aliados para lutar na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os subsídios agrícolas concedidos aos exportadores europeus.
"Todos entenderam o sentido da política brasileira de crescente integração, não apenas no Mercado Comum do Sul (Mercosul), mas também com outras regiões da América Latina, especificamente da América Central e do Caribe", afirmou Fernando Henrique ao final do encontro com os presidentes da Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Belize e República Domicana.
Apesar de possuírem visões diferentes sobre o prazo de adoção da Alca, o Brasil e os países centro-americanos têm vários interesses comuns nesse processo. O maior deles é o temor de perderem competitividade aos produtores norte-americanos quando a Alca estiver funcionando.
Prazo - O ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampréia, disse hoje que o Brasil mantém sua posição de imprimir um ritmo menos acelerado de adoção da Alca. Já os países centro-americanos vêem na Alca a solução para reduzir sua dependência econômica dos Estados Unidos e, mais recentemente, do México, os maiores parceiros comerciais da América Central.
De acordo com fontes da área diplomática, nas conversas mantidas hoje com os presidentes da Cúpula de San José, os chefes de Estado da região mostraram-se interessados no potencial do Brasil e do Mercosul como uma alternativa de mercado para suas exportações. Eles querem inverter a situação atual, na qual o Brasil mais vende do que compra.
Em 1999, as empresas brasileiras venderam US$ 360 milhões à América Central e comprou apenas US$ 140 milhões desses países.
O documento assinado pelos nove presidentes presentes à Cúpula de San José prevê a realização de uma reunião no nível técnico entre os centro-americanos e o Mercosul para começar a discussão sobre as possibilidades de expansão de comércio e investimentos entre as duas regiões.

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