São Paulo - O governo federal deve concluir, no início de 2004, o diagnóstico sobre o tráfico de pessoas nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará e Goiás, as quatro unidades federativas em que teve início o Programa Global de Prevenção ao Tráfico de Seres Humanos, do Ministério da Justiça. As informações são da Agência Brasil.
A coordenadora do programa, Leila Paiva, explica que um dos objetivos do estudo é levantar os entraves para a punição dos responsáveis, a partir da análise dos inquéritos e dos processos em andamento.
Leila Paiva destaca que o Brasil é considerado um país fornecedor de vítimas para o tráfico doméstico e internacional de seres humanos, de acordo com relatório do Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgado em 2001.
Segundo o Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime, os lucros obtidos com o tráfico internacional de seres humanos chegam a US$ 12 bilhões por ano em todo o mundo.
Essa atividade criminosa é o terceiro negócio ilegal mais rentável, perdendo apenas para o tráfico de drogas e o de armas, que rendem cerca de US$ 400 bilhões e US$ 290 bilhões, respectivamente.
''O tráfico de seres humanos é uma atividade organizada e podemos perceber o incremento da capacidade dos criminosos'', avalia Leila Paiva.
O foco do programa brasileiro de combate ao comércio ilegal de seres humanos é o tráfico de mulheres para fins de exploração sexual. Dados do Instituto Latino-Americano de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos revelam que o Brasil é responsável por 15% das mulheres traficadas para a América do Sul.
As brasileiras também alimentam o mercado de prostituição na Espanha, Alemanha, Suíça, Israel, Holanda, Japão, Portugal e França, entre outros países. ''Nós temos um número muito grande de mulheres que vão para o exterior em troca de falsas promessas, na tentativa, muitas vezes, de melhorar de vida, mas que são colocadas em situações de desrespeito ao seres humanos, submetidas a cárcere privado, ficam sem documentos e numa situação de ilegalidade'', observa a coordenadora.
Paiva lembrou que, por se tratar de um crime que muitas vezes é transnacional, não há como reduzir o número de casos se não houver cooperação e parceria entre os países envolvidos.
Recentemente, ela participou de dois seminários internacionais, em Bogotá (Colômbia) e em Mônaco, onde o assunto foi debatido. ''Foram encontros importantes, porque sabemos que o problema não pode ser resolvido dentro do Brasil. Precisamos principalmente da cooperação dos países de destino'', disse.

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