Brasil finaliza negociação com a Nasa
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quinta-feira, 11 de março de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O primeiro e único astronauta brasileiro, até agora, a compor a equipe da Agência Nacional Norte-Americana (Nasa) está em Curitiba. O tenente-coronel aviador Marcos César Pontes, 41 anos completados ontem, dará uma palestra hoje às 19 horas no Cintacta II, para apresentar aos acadêmicos do curso de Ciências Aeronáuticas, da Universidade Tuiti do Paraná (UTI), e interessados no assunto o Programa Espacial Brasileiro e o acordo de participação brasileira na Estação Espacial Internacional (EEI).
Em entrevista coletiva na tarde de ontem, Pontes explicou que o Brasil está finalizando uma renegociação com a Nasa, já que o custo do primeiro lote de peças produzidas no País ficaria mais elevado que o total de investimentos previstos no acordo: R$ 120 milhões em cinco anos.
Pelo acordo firmado em 1997, o Brasil por intermédio da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) ficou responsável pela construção de seis partes da EEI. Segundo Pontes, houve modificações no lote para peças mais baratas, que possam ser totalmente construídas no Brasil. Este é um dos pontos do acordo, uma vez que o objetivo é que a indústria nacional possa gerar empregos.
O astronauta acredita que o acordo seja assinado ainda neste semestre. Apesar de não ter previsão de quando deverá realizar seu primeiro vôo, ele não esconde a ansiedade ao falar sobre sua estréia no espaço. Pontes já está programando como será o momento tão esperado por ele e histórico para o Brasil. Ele brincou: ''2006 é um ano bom'', lembrando da comemoração do Centenário de Santos Dummont. Seu sonho é usar o relógio do ''Pai da Aviação'' no pulso ao decolar para o espaço, como forma de homenageá-lo.
Marcos Pontes está no centro de treinamento da Nasa em Huston, Texas (Estados Unidos), desde 1998, onde já passou por uma série de treinamentos até receber o título de astronauta, em 2000. O brasileiro, agora, está em um estágio avançado de capacitação técnica e deve iniciar nos próximos meses os cursos dos sistemas robóticos dos veículos e manobras de aproximação e acoplamento.
A EEI é um projeto científico desenvolvido por 16 países, incluindo o Brasil, tendo os Estados Unidos como responsáveis pela integração técnica do projeto. A espaçonave é composta de módulos laboratórios científicos e operacionais para experimentos em inúmeras áreas de pesquisa. O Brasil, como contrapartida das peças fabricadas e exportadas para os EUA para integração na EEI, tem direito de usar as instalações científicas para pesquisas nacionais e transporte de ida e volta dos experimentos pelo ônibus espacial, além de um tripulante brasileiro treinado pela Nasa.


