São Paulo, 27 (AE) - O Brasil obteve no ano passado uma participação de 15,6% no fluxo mundial de investimento direto destinados a países em desenvolvimento, de acordo com um estudo divulgado pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais (SOBEET). Esse resultado foi o melhor obtido pelo Brasil desde 1983, quando sua participação atingiu 16,5%. De acordo com o economista Antônio Lacerda, que apresentou o estudo na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em São Paulo, os investimentos externos tem conseguido financiar o déficit brasileiro em conta corrente.
A estimativa da SOBEET para esse ano é de que os US$ 25 bilhões de investimentos estrangeiros previstos possam financiar 91,27% do déficit. Para o ano que vem, disse Lacerda, a expectativa é que os investimentos externos atinjam US$ 20 bilhões, e que financiem 83,3% de déficit em conta corrente do País. O executivo chamou a atenção, no entanto, para a mudança no perfil dos investimentos estrangeiros feitos no Brasil no ano passado. Segundo ele, em 1995, 55% desses recursos foram aplicados na indústria. Nos anos seguintes, essa participação foi caindo até chegar a 23,6% entre janeiro e agosto de 99. "Isso significa que menos recursos estão sendo aplicados no setor produtivo e mais dinheiro está sendo aplicado em outras áreas que não geram receita de exportações."Pelo contrário vão gerar remessas de lucros e dividendos e pagamentos de juros para o exterior, o que causará problemas com a nossa conta de serviços" afirmou.
Para Lacerda, a única saída para compensar essa perda seria um aumento expressivo das exportações brasileiras, gerando um superávit na balança comercial. A diretora da Fiesp, Clarice Seibel, destacou também que o governo federal precisa aproveitar o potencial exportador das empresas transnacionais para desenvolver, em conjunto, um política de desenvolvimento industrial.
De acordo com o estudo da SOBEET, 405 das 500 maiores empresas transnacionais do mundo estão no Brasil. "E nós não estamos aproveitando isso nem parcialmente" afirmou Seibel. Na avaliação da diretoria do SOBEET, Virene Matesco, essa maior concentração de investimentos estrangeiros no setor de serviços é muito positiva, pois esse segmento no Brasil ainda é muito pouco competitivo em relação ao mercado internacional. Segundo ela, esse foco no setor de serviços trará resultados muito positivos nos próximos 3 ou 4 anos em termo de competitividade, o que será muito benéfico para a indústria como um todo.

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