Brasil fica no grupo dos melhores IDHs
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Folhapress 
Rio- O Brasil se manteve no grupo considerado pela ONU de alto desenvolvimento humano, mas já não consegue avançar nesta década seu IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) no ritmo verificado na década passada, segundo relatório divulgado ontem pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. O IDH é divulgado anualmente e parte de indicadores em três áreas: saúde, educação e renda.
O país apareceu no relatório deste ano na mesma posição do ano passado: a 70. Seu IDH de 2005 para 2006 (os dados de cada relatório são sempre referentes a dois anos antes) variou de 0,802 para 0,807. Quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano.
Na divulgação do ano passado, o país apareceu, pela primeira vez, no grupo de nações consideradas de alto desenvolvimento humano, ou seja, com IDH superior a 0,800.
Na avaliação do coordenador do Relatório do Desenvolvimento Humano no Brasil, Flavio Comim, o crescimento do IDH brasileiro tem se verificado sustentável, já que aconteceu nas três dimensões analisadas -saúde, educação e renda.
Mas esse avanço já foi mais acelerado. De 1990 a 2000, o país deu um salto de 0,081 pontos em seu IDH. De 2000 a 2006, no entanto, a variação foi de apenas 0,018 pontos.
A diminuição do ritmo de melhoria fica evidente numa comparação feita por Comim entre Brasil, Chile, Argentina, Uruguai, Costa Rica, México, Panamá e Venezuela. Analisando a evolução desde 1990, o Brasil teve a maior variação do IDH. Mas, considerado só o período de 2000 a 2006, todos os outros avançaram mais, com exceção da Argentina.
Comim afirma que, por um lado, é natural que o país tenha mais dificuldade para melhorar seu IDH a partir do momento em que chega a um patamar mais elevado. Ele alerta, no entanto, que ainda há muito espaço para melhora e que não se deve esquecer que o índice é apenas uma média do país, o que, especialmente no caso brasileiro, esconde desigualdades significativas.
Também na educação fica claro que é preciso mais esforço para avançar. Entre 1992 e 2001, segundo o IBGE, o percentual de crianças fora da escola caiu de 13% para 4% na faixa etária de 7 a 14 anos e de 40% para 19% na de 15 a 17 anos. No caso da escolarização de 7 a 14, há pouca margem de melhora, pois apenas 2% das crianças estão fora da escola. Já na população de 15 a 17 anos, é possível avançar mais, já que a taxa variou apenas um ponto percentual de 2001 a 2007.


