Brasil fez 800 mil plásticas no ano passado
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quarta-feira, 03 de agosto de 2005
Folhapress 
Rio de Janeiro- O número de cirurgias plásticas realizadas no Brasil no ano passado chegou a 800 mil. A estimativa é da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), que está organizando nesta semana no Rio a 24º Jornada Carioca de Cirurgia Plástica. Há dois anos, segundo uma pesquisa contratada pela entidade ao instituto Gallup, esse total era de 621.342.
Essa pesquisa já havia constatado que a maioria (60%) das cirurgias eram feitas por motivos estéticos e que as mulheres eram as que mais procuravam essa técnica por razões estéticas, representando 81% do total.
Para Osvaldo Saldanha, secretário-executivo da SBCP, esse crescimento é resultado do aumento do número de profissionais autorizados a exercer a atividade de cirurgião plástico e à popularização dessa técnica no Brasil.
Hoje, segundo Saldanha, o Brasil só não realiza mais cirurgias do que os Estados Unidos. Para Luiz Haroldo Pereira, coordenador-científico do evento, uma das explicações para esse crescimento é a tradição brasileira de formação de bons cirurgiões plásticos e o espaço que o tema ganha na mídia brasileira. Pereira afirma também que, no caso do Rio, é a fama criada a partir do cirurgião plástico Ivo Pitanguy que acaba atraindo até mesmo estrangeiros à cidade.
''O Rio de Janeiro é o Vaticano da cirurgia plástica porque é aqui que mora o papa. Como o Pitanguy sempre se preocupou em ensinar para os mais jovens sua técnica, além do papa, é natural que a cidade tenha ótimos cardeais e bispos'', diz Pereira.
Outro ponto levantado por Pereira para justificar a vinda de estrangeiros ao Rio para fazer cirurgia plástica é o baixo custo do Brasil em relação aos preços cobrados por cirurgiões no exterior. ''Um europeu que tenha um salário de 2 a 3 mil euros consegue economizar 6 mil e pagar os custos da viagem e da cirurgia. Se fosse fazer isso na Europa, pagaria muito mais''.
Se, por um lado, a SBCP comemora a popularização da cirurgia plástica, por outro, a entidade se diz preocupada com a banalização da técnica ou com a existência de procedimentos de alto risco feitos por profissionais sem capacitação.
Para evitar que técnicas com pouca eficácia sejam popularizadas, a SBCP está criando um banco de dados para discutir novos procedimentos em seus encontros e orientar os cirurgiões sobre os métodos mais adequados.
Ontem, foi convidada a participar do evento Maria Edith Pessanha, primeira brasileira a ter se submetido a uma cirurgia de lipoaspiração. Ela foi ''cobaia'' para o francês Yves-Gérard Illouz, considerado o pai da técnica. ''O doutor Illouz veio ao Brasil há 25 anos e comentou comigo que tinha inventado uma técnica para diminuir a gordura. Eu fiquei animada e disse que queria mesmo tirar umas gordurinhas. A cirurgia foi acompanhada por vários médicos'', afirma.


