Agência Estado
De Haia, Holanda
O Brasil deu o tom à reunião de encerramento da conferência ministerial, no Fórum Mundial da Água, ontem, em Haia, na Holanda. Em nome do Brasil, Costa Rica, Paraguai e Uruguai, o embaixador brasileiro na Holanda, Affonso de Alencastro Massot, fez restrições ao texto da declaração final, adotada por aclamação pelos ministros presentes.
‘‘Ressaltamos a importância deste fórum para a conscientização da humanidade e de cada país em relação à água e assuntos correlatos, mas os documentos anexados à declaração - Vision for Action e Framework for Action – são documentos elaborados por uma base diversificada de empresas, organizações não-governamentais e particulares, aos quais os governos só tiveram acesso no domingo, sem tempo para as discussões necessárias’’, explicou Massot à Agência Estado.
Nas restrições expressas entregues à presidente da sessão, a ministra holandesa do desenvolvimento e Cooperação, Eveline Herfkens, o Brasil reitera que o texto da Agenda 21 se sobrepõe ao desta declaração de Haia, por ter sido exaustivamente discutido e assinado pela unanimidade dos chefes de governo presentes à Rio-92.
‘‘O texto dos dois documentos anexados à declaração de Haia contém imprecisões e por isso não podem ser aceitas todas as análises, propostas e sugestões ali contidas’’, disse Massot, no plenário, sem alterar a voz. Visivelmente fora do sério, a ministra holandesa cortou a palavra de Massot diversas vezes, mas acabou anexando as restrições ao documento final.
‘‘Achamos importante reforçar a Agenda 21 e sua implementação, sem fechar as portas a iniciativas – como este fórum promovido pela Holanda – para melhorar a condição do ser humano’’, acrescentou o embaixador. ‘‘Uma conferência de governos deve prever tempo para os delegados falarem, não apenas ver e ouvir’’.