Haia, 22 (AE) - O Brasil deu o tom à reunião de encerramento da conferência ministerial, no Fórum Mundial da água, hoje (22), em Haia, na Holanda. Em nome do Brasil, Costa Rica, Paraguai e Uruguai, o embaixador brasileiro na Holanda, Affonso de Alencastro Massot, fez restrições ao texto da declaração final, adotada por aclamação pelos ministros presentes.
"Ressaltamos a importância deste fórum para a conscientização da humanidade e de cada país em relação à água e assuntos correlatos, mas os documentos anexados à declaração - Vision for Action e Framework for Action - são documentos elaborados por uma base diversificada de empresas, organizações não-governamentais e particulares, aos quais os governos só tiveram acesso no domingo, sem tempo para as discussões necessárias", explicou Massot à Agência Estado.
Nas restrições expressas entregues à presidente da sessão, a ministra holandesa do desenvolvimento e Cooperação, Eveline Herfkens, o Brasil reitera que o texto da Agenda 21 se sobrepõe ao desta declaração de Haia, por ter sido exaustivamente discutido e assinado pela unanimidade dos chefes de governo presentes à Rio-92.
"O texto dos dois documentos anexados à declaração de Haia contém imprecisões e por isso não podem ser aceitas todas as análises, propostas e sugestões ali contidas", disse Massot, no plenário, sem alterar a voz. Visivelmente fora do sério, a ministra holandesa cortou a palavra de Massot diversas vezes, mas acabou anexando as restrições ao documento final.
"Achamos importante reforçar a Agenda 21 e sua implementação, sem fechar as portas a iniciativas - como este fórum promovido pela Holanda - para melhorar a condição do ser humano", acrescentou o embaixador. "Uma conferência de governos deve prever tempo para os delegados falarem, não apenas ver e ouvir".

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