Brasil faz cesarianas desnecessárias
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sábado, 24 de maio de 1997
Agência Estado. 
Arquivo FolhaContra-indicaçãoCresce número de crianças que nascem de parto cesarianaRIO - O Brasil tem um pequeno destaque no estudo do Fundo de População das Nações Unidas. Embora sem detalhamento, o box fala das restrições de esterilização e ressalta que, no País, enquanto o direito reprodutivo saudável é garantido por lei, alguns procedimentos impedem o exercício deste direito. A contracepção cirúrgica não pode ser feita exceto quando se descobre a necessidade durante outro procedimento cirúrgico, analisa a pesquisadora Nafis Sadik, diretora do Fundo de População da ONU e coordenadora do estudo.
Ainda no que se refere ao Brasil, o documento diz que há no País, um grande número de cesarianas desnecessárias e o ligamento de trompas, que significa alto risco e altos custos.
A pesquisa indica que a região mais crítica do planeta é a África Central, onde morrem 1.061 mães, para cada 100 mil nascimentos. Os menores índices estão na América do Norte e no sul da Europa, com 11 mortes/100 mil nascimentos. De acordo com o relatório, as principais causas da morte de mulheres relacionadas à gravidez no mundo são hemorragias (25%), septicemia (15%), abortos inseguros (13%) e distúrbios de hipertensão na gravidez e eclampsia (13%). Em seu estudo, Sadik ressalta que a mulher africana é 500 vezes mais suscetível de morrer em consequência de problemas relacionados à gravidez do que a dos países escandinavos.
O estudo também procura enfocar o aparecimento de novos casos de doenças sexualmente transmissíveis curáveis entre adultos, tendo 1995 como ano base. Neste ano, surgiram 150 milhões de casos no sudeste e sul Asiático; 65 milhões na África sub-Saara; 36 milhões na América Latina e Caribe; 23 milhões na Ásia Oriental e no Pacífico; 18 milhões na Ásia Central e Europa Oriental; 16 milhões na Europa Ocidental; 14 milhões na América do Norte e 10 milhões na África Ocidental.
Entre as mulheres mortas em consequência de abortos, com média anual de 70 mil casos, a maioria está na Ásia (40 mil casos), na África (23 mil), na América Latina e Caribe (6 mil). Os menores índices registrados estão na Oceania e antiga União Soviética (500), na Europa (100) e na América do Norte, onde, segundo a pesquisa, os números são insignificantes.
No mundo, 68% das mulheres grávidas são submetidas a tratamento pré-natal, mas o índice é elevado graças aos países desenvolvidos, onde 98% das mulheres têm tratamento, enquanto nos menos desenvolvidos o índice não passa de 65%. Na África, apenas 17% das mulheres e 9% dos homens têm acesso a contraceptivos, segundo o estudo.
O estudo também mostra a incidência das doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids. Em 1996, 3,1 milhões de pessoas - seis por minuto - foram contaminadas pelo vírus HIV. Por ano, um milhão de pessoas morrem em consequência das doenças sexualmente transmissíveis. Principalmente nos países mais pobres, seis em cada dez mulheres adquirem doenças sexualmente transmissíveis.
O relatório das Nações Unidas chama a atenção para os direitos da mulher, no que se refere à reprodução: saúde sexual e reprodutiva; decisão sobre a própria gravidez; igualdade e equidade entre homens e mulheres; e segurança sexual e reprodutiva, incluindo a liberdade da mulher, contra a violência e coerção sexual, e o direito à privacidade.


