Porto Alegre, 1 (AE)- O Brasil faturou US$ 1,277 bilhão com exportações de calçados em 1999. O valor é 4% inferior aos US$ 1,33 bilhão apurados pelas empresas do setor com as vendas externas no ano anterior, apesar do crescimento de 5% nos embarques físicos, que atingiram 137 milhões de pares. A queda nas receita foi causada pela redução do preço médio dos sapatos exportados de US$ 10,16 para US$ 9,31 no período.
O vice-presidente de mercado externo da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), Ricardo Wirth
disse que a previsão para 2000 é de crescimento de 15%, em dólar, das exportações. A desvalorização do real e a expectativa de ressarcimento de parte dos impostos federais incidentes sobre as matérias-primas do setor são as principais razões para a confiança no aumento da competitividade do produto brasileiro.
Conforme Wirth, as vendas externas de calçados em 1999 acompanharam o desempenho de toda a pauta de exportações brasileira. A meta era de uma expansão de 25% em relação a 1998, mas a recuperação de mercados perdidos ao longo dos últimos anos não ocorreu na mesma velocidade da desvalorização cambial e do consequente barateamento dos sapatos brasileiros no exterior. Os principais concorrentes das fábricas nacionais estão hoje na ásia, especialmente China, Vietnã, Indonésia e Tailândia.
O empresário disse ainda que as controvérsias comerciais com a Argentina, que limitaram as exportações para aquele país a pouco mais de 10 milhões de pares no ano passado, tiveram parcela de responsabilidade na queda do faturamento geral em 1999. "Sem isso, poderíamos ter vendido 15 milhões de pares e pelo menos empatado (na receita total) com 1998", comentou.
Para estimular os embarques ao Exterior este ano, a Abicalçados espera a regulamentação da medida anunciada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso durante a Couromoda. Segundo Wirth, as indústrias deverão voltar a receber o ressarcimento de 5,3% correspondente a impostos federais recolhidos na aquisição de matérias-primas nacionais. O benefício foi suspenso em abril do ano passado e a entidade espera que ele seja restabelecido com vigência retroativa a primeiro de janeiro de 2000. "Com o ajuste cambial e a desoneração tributária, as indústrias brasileiras terão condições muito boas de brigar no mercado externo", afirmou.
De acordo com ele, o setor deverá buscar a recuperação de mercados em faixas de preços mais elevadas, ao redor de US$ 20,00 o par.

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