Brasil fará emissão de bônus no mercado ienes
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2000
Por Gustavo Freire 
Brasília, 22 (AE) - O governo brasileiro escolheu hoje a Nomura Securities para liderar uma emissão de bônus no mercado de ienes. A decisão selou de vez a disposição do governo de voltar a acessar este mercado depois de passar 4 anos fora da área de influência da moeda japonesa. A ausência é explicada pelas autoridades brasileiras como um reflexo do comportamento da economia nipônica, que vem apresentando forte grau de estagnação nos últimos anos.
O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central (BC), Daniel Gleizer, já adiantou, no entanto, que o retorno ao mercado de ienes será marcado por uma captação de baixo valor. A estimativa, segundo Gleizer, é que o empréstimo obtido com a colocação destes bônus deverá ficar entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões. A idéia, neste caso, é apenas firmar referencial neste mercado e deixar aberta a possibilidade de um retorno mais marcante no momento em que a economia japonesa deslanche e volte a crescer com vigor maior que o observado nos últimos anos.
O Brasil, neste ano, já fez duas captações num valor aproximado de US$ 1,7 bilhão nos mercados de euro e dólar. O valor, segundo o diretor de Assuntos Internacionais do BC, já corresponde a cerca de 50% dos compromissos externos do setor público neste ano. A expectativa do BC é que o setor público seja obrigado neste ano a realizar pagamentos de compromissos externos de aproximadamente US$ 3,6 bilhões. Apesar disso, o BC deseja fazer captações entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões.
O mercado acredita que estas captações ajudam o BC a ter um poder maior de controle sobre a taxa de câmbio. A idéia é que
com mais dólares em caixa, o BC terá mais espaço para entrar no mercado e conter eventuais volatilidades do câmbio. Na visão do mercado, a busca de recursos no mercado externo se tornou necessária depois do fechamento do acordo celebrado entre o Brasil e o Fundo Monetário Internacional (FMI) que fixou metas de reservas internacionais líquidas. Para este ano, já foi fixada uma meta indicativa de reservas no valor de US$ 29,8 bilhões para o final do ano.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, explicou hoje que este valor ainda será revisto na próxima revisão do acordo com o FMI. "Na próxima revisão, o número será revisado e transformado em meta compromisso", comentou. A meta para o ano passado era de US$ 20,3 bilhões e as reservas fecharam 1999 em US$ 24 bilhões. Para janeiro deste ano, a meta fixada no acordo com o FMI era de que as reservas líquidas não ficassem abaixo de US$ 18,950 bilhões. O número efetivo do mês passado foi de US$ 25,259 bilhões.


