Brasil exige informação dos EUA sobre regiões de risco
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segunda-feira, 07 de abril de 2003
Agência Estado 
Brasília - A eficiência das medidas de segurança adotadas no Brasil para detectar estrangeiros contaminados com Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sars) está ameaçada por um problema diplomático. Apesar de os Estados Unidos estarem entre os primeiros colocados no ranking da doença e exibirem um crescimento rápido do número de pacientes, o país não admite haver transmissão local da Sars. Por enquanto, dizem, todos os casos estão sob investigação. Sem essa confirmação, o país não pode ser considerado um local de risco pela Organização Mundial de Saúde.
Essa situação impede, por exemplo, que autoridades sanitárias façam um alerta para brasileiros evitarem possíveis áreas norte-americanas sob risco. Ou que vigilância mais eficiente seja realizada nos vôos procedentes de regiões que concentram maior número de casos.
O coordenador-geral de Vigilância Epidemiológica da Fundação Nacional de Saúde, Eduardo Hage, afirmou que o Brasil já fez vários pedidos para a OMS e para a Organização Panamericana de Saúde para que sejam divulgados os estados norte-americanos com maior incidência da doença. Até agora, sem resposta. ''Para podermos fazer um alerta, seria necessário saber quais as áreas de risco dos Estados Unidos. Seria inconcebível pedir que todo território norte-americano fosse evitado.''
Hage disse que até agora não foi dada nenhuma explicação sobre a demora da confirmação de casos autóctones de Sars em território norte-americano. Ele, no entanto, considera muito provável que naquele país haja esse tipo de transmissão.
''É quase certo que eles tenham contaminação no próprio país'', afirmou Hage. Mesmo assim, completou, o Brasil não pretende adotar nenhuma medida que esteja em desacordo com as recomendações e padrões determinados pela OMS. Ou seja, até pronunciamento da OMS, os Estados Unidos continuam sendo um local sem risco. A rede, justificou, é essencial tanto para o intercâmbio de informações sobre a doença, métodos possíveis de diagnóstico e, no futuro, de tratamento. ''Temos de respeitar esse espírito de rede. O ideal é que todos fizessem o mesmo.''


