O Brasil que vai sair do Censo 2000 será mais feminino, mais urbano e mais adulto, mostram os dados preliminares divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A população estimada do País ao final do censo é de aproximadamente 166,5 milhões de pessoas - um crescimento aproximado de 6% em relação aos 157 milhões computados em 1996, data da última contagem populacional.
Até 10h30 de ontem, já haviam sido recenseadas 158.649.736 pessoas (95,25% do total estimado). O IBGE planeja concluir neste mês o trabalho de coleta de dados.
Pelas informações preliminares, o número de mulheres no Brasil vem crescendo mais do que o de homens: há hoje 96,6 homens para cada grupo de 100 mulheres, enquanto em 1996 (data da última contagem populacional) a proporção era de 97,2 homens para 100 mulheres.
Dois fatores contribuem para o aumento da população feminina: a maior expectativa de vida das mulheres, que vivem 7,8 anos a mais que os homens, e as mortes violentas, que atingem mais os homens já a partir da adolescência.
A proporção homens/mulheres só se mantém estável no Nordeste (95,9 por 100). Vem caindo, porém, nas outras quatro regiões brasileiras e até mesmo no Norte, onde os homens ainda são em maior número que as mulheres (100,8 por 100).
O IBGE mostra que, quanto mais urbanizada a região, maior o número de mulheres, enquanto na área rural o número de homens vem crescendo.
Assim, a menor proporção de homens está na região Sudeste, a mais urbanizada: há apenas 95,7 homens para cada 100 mulheres. Em alguns Estados, como no Rio, a taxa ainda é mais baixa, de 92 homens para 100 mulheres.
A menor taxa está no Distrito Federal: 91 homens para 100 mulheres. A maior, no Mato Grosso: 105,25 homens para 100 mulheres.
‘‘Isso dá uma idéia da diferença entre a situação da mulher nas áreas urbanas e rurais. Por exemplo, em áreas rurais, ainda há uma mão-de-obra mais tipicamente masculina’’, afirma Alicia Bercovich, coordenadora do Comitê do Censo.
A população brasileira vem crescendo num ritmo mais lento. A expectativa do IBGE é que, ao final do censo, a taxa de crescimento populacional anual feche a década em torno de 1,4%.
No Brasil, essa taxa já foi de 1,9% nos anos 80, 2,5% nos anos 70 e 3% nos anos 50 e 60. Nos Estados Unidos, é de aproximadamente 1%, chegando a zero em países europeus.
A redução do crescimento populacional é o indicador que sintetiza o que o IBGE chama de ‘‘transição demográfica’’: a diminuição do número de jovens até 15 anos, o aumento da população adulta e idosa, o aumento da expectativa de vida e a queda na fecundidade, mudando o perfil da população brasileira.
Em comparação com o Censo 1991, o percentual de jovens até 15 anos deve cair
de 36% para 30%, enquanto o de idosos com mais de 65 anos deve subir de 5,4% para 6%, em números redondos.

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