Brasil está entre os países que mais matam jovens
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quinta-feira, 02 de novembro de 2017
Lais Taine<br>Reportagem Local 

Homicídios, conflitos armados ou violência coletiva. A cada 7 minutos, uma criança ou adolescente, entre 10 e 19 anos, morre vítima de violência em algum lugar do mundo. De acordo com o relatório "Um rosto familiar: A violência na vida de crianças e adolescentes", feito pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), em 2015, a violência vitimou mais de 82 mil meninos e meninas nessa faixa etária. O Brasil é o quinto maior em taxa de homicídios, com 59 mortes para cada 100 mil crianças e adolescentes.
Embora apenas 10% de crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos do mundo vivam na América Latina e Caribe, quase metade dos homicídios (não relacionados a conflitos armados) foi registrado na região, somando 24,5 mil mortes, das 51,3 mil levantadas.
As taxas apresentam que, no ano de 2015, ocorreram 22,1 homicídios para cada 100 mil crianças e adolescentes na América Latina e Caribe, proporção quatro vezes maior que a registrada no mundo. Os países com maiores taxas de homicídios estão todos na região. O Brasil é o quinto maior (com 59 mortes para cada 100 mil crianças e adolescentes), ficando atrás de Honduras (64,9), El Salvador (65,5), Colômbia (70,7) e Venezuela (96,7).
Os dados revelam uma contradição, já que o Brasil também está entre os 59 países que adotaram legislação que proíbe o uso de castigos físicos, com a Lei Menino Bernardo, conhecida como a Lei da Palmada. "A legislação é um avanço muito grande, mas é preciso uma mudança cultural, precisamos incorporar uma diretriz de que violência é violência independentemente da faixa etária. A lei é fundamental, mas a gente precisa aprofundar essa discussão e estimular o diálogo, aprender a educar de forma não violenta", argumentou a especialista em proteção à criança do Unicef no Brasil, Fabiana Gorenstein.
A violência na escola também foi abordada pelo estudo. No Brasil, 43% dos meninos e meninas do 6º ano (11 e 12 anos) disseram que sofreram bullying nos últimos meses. Eles foram roubados, insultados, ameaçados, agredidos fisicamente ou maltratados. "São violências naturalizadas, que não se percebe como violência, precisamos desnaturalizar e ver que é um comportamento inaceitável", afirmou Gorenstein.
A especialista afirma que os números do Brasil são preocupantes, já que os índices brasileiros se aproximam dos registrados em países em conflito. Por conta disso, ela indica as quatro grandes recomendações para que a violência contra criança e adolescente no País não seja tão acentuada: melhoria da infraestrutura nas comunidades e periferias de grandes centros, apoio a famílias e amigos das crianças e adolescentes mortos vítimas da violência, melhor atenção da Justiça e segurança e investimento em educação.
"Há a reprodução do ciclo de violência, a criança que convive vai ser um adulto violento em seus relacionamentos. O alerta é que a gente precisa reconhecer que essa violência está presente em todas as esferas e precisamos interromper a comunicação e interação do uso de violência como forma de relacionamento em todos os ambientes", finalizou.
PARANÁ
Segundo Alann Bento, coordenador da política da criança e do adolescente da Secretaria de Estado da Família e Desenvolvimento Social, os principais tipos de violências registrados pelo Disque Denúncia 181 contra a população dessa faixa etária são violência doméstica, exploração e abuso sexual e negligência.
"O retrato da violência contra criança e adolescente é de que a grande maioria é praticada por pessoas próximas. A gente precisa proteger essa criança com o apoio de toda a população, pessoas que identifiquem sinais de violência para além da agressão física", afirmou Bento. Segundo ele, o Estado tem articulado diversas ações que estimulem a denúncia, como campanhas educativas e serviço de atendimento à vítima e ao agressor.
Como o abuso sexual contra crianças e adolescentes estão em destaque nas denúncias, o coordenador cita as campanhas do dia 18 de maio, como Dia Nacional do Combate a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, com foco na informação da população e estímulo à denúncia. A campanha retratou também a violência desse tipo nas estradas do Paraná. Além disso, Bento afirma que o órgão trabalha com o fortalecimento das redes de proteção, com 22 comissões regionais para discutir e estabelecer fluxos de atendimento e deliberações de repasse de recursos para os municípios.


