Rio, 17 (AE) - O Brasil está entre os países com os mais altos índices de reciclagem de latas de cerveja e de refrigerantes do mundo, segundo dados da Associação Brasileira do Alumínio (Abal). Nesse tipo de reciclagem o País supera os Estados Unidos. No ano passado, 65% das 8,5 bilhões de latas vendidas no Brasil foram recicladas e, no primeiro semestre de 1999, esse índice chegou a 82%.
Nos EUA, onde são vendidas cerca de 100 bilhões de latas por ano e o programa existe desde 1967, o índice de reciclagem é de 62%. Ainda segundo a Abal, a média mundial é de 55% e o índice chega a 72% no Japão e 40% na Europa. Na Suécia, 95% das latas são recicladas, mas a consumo é inferior a 1 bilhão de latas por ano.
O programa começou em 1991, ano em que 38% das latas foram reaproveitadas. Pelo menos 100 mil pessoas trabalham no processo de reciclagem de latas de cerveja e refrigerante no País, segundo estimativa da entidade.
Pobreza - "O fator propulsor da reciclagem de latas no Brasil foi a pobreza", afirma o gerente de Tecnologia e Meio Ambiente da Alcan Alumínio do Brasil, Ayrton Filleti, que participou hoje do seminário internacional Tecnologias e Mudanças Climáticas, no Rio, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Segundo Filleti, a reciclagem cresceu no País por causa do alto valor pago pelo alumínio: o sucateiro recebe R$ 1.823,00 por tonelada, de acordo com a Abal. "Só para comparar, a tonelada do plástico está avaliada em cerca de R$ 100 e a do aço
em R$ 80", disse. "Além da questão ambiental, outro aspecto importante dessa iniciativa é o processo econômico que ela possibilita." O gerente da Alcan citou também o "sucesso" de programas institucionais de reciclagem implantados em escolas, creches e outras instituições, além da iniciativa individual dos catadores. "Um dos fatores de sucesso da reciclagem do alumínio no País é a realização de uma coleta bem organizada", disse.

mockup