"Brasil está em lua-de-mel", dizem economistas
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domingo, 11 de abril de 1999
Por Denise Neumann 
São Paulo, 12 (AE) - O Brasil está em lua-de-mel. Essa expressão foi escolhida, hoje, para diagnosticar as perspectivas de curto prazo da economia brasileira, em seminário que reuniu economistas locais e estrangeiros para falar dos rumos do País pós-desvalorização da moeda. A lista de boas notícias incluiu inflação baixa, taxa de câmbio estável, recessão menor que a esperada e mudança positiva nas contas externas.
Mas, como todo casamento, a lua-de-mel pode acabar. "Nos próximos quatro meses tudo vai dar certo para a economia brasileira, por isso é preciso pensar nos próximos quatro anos"
observou Arturo Porzecanski, economista-chefe do ING Barings para as Américas. Ele avalia que, "já estamos vendo o fim da recessão e no segundo trimestre a economia vai começar sua recuperação". Para Porzecanski, o Brasil precisa desenhar uma estratégia de desenvolvimento, definindo o tamanho do governo federal, do setor público (privatizar ou não a Petrobrás e o Banco do Brasil) e executando a reforma tributária e a segunda reforma da Previdência, entre outros temas de uma "agenda positiva".
O ex-presidente do BC Gustavo Loyola também avalia que "muitos riscos de curto prazo foram ultrapassados e não existe mais o risco de uma explosão da inflação, de volta da indexação". Para ele, "o maior risco é o do otimismo". Isso, afirmou, "pode provocar um novo ciclo de desleixo fiscal", afirma.
Além da preocupação com um ajuste fiscal mais duradouro que o corte de despesas e aumento de receitas negociado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, da Unicamp, está olhando com atenção para as exportações. "A recessão será menor que o esperado, mas o Brasil vai crescer pouco e criar pouco emprego", diz. O valor das exportações, observa, pode ter queda de 1% a 2% no ano. As exportações de todos os países asiáticos, lembra ele, caíram após a desvalorização de suas moedas.
Para o ex-presidente do BC Ibrahim Eris, a transição do regime de câmbio fixo para flutuante foi completada, mas não foi "a solução de todos os problemas". Ele diz que vai esperar "para crer" nos resultados fiscais e defendeu a idéia de que o Brasil deve parar de atrair capitais de curto prazo. "A taxa de juros precisa ser rapidamente reduzida porque está atraindo um capital que não nos interessa", observou.
Porzecanski discorda. Ele diz que o capital que está entrando é dinheiro de brasileiro. "E esse recurso que saiu precisa voltar para irrigar a economia", defendeu. Ele acredita que os grandes bancos não só vão renovar 100% suas linhas comerciais (como combinado com o governo) até julho, como vão aumentar essas linhas em cerca de 20% até o início do segundo semestre.


