Brasil espera posse de argentino para discutir metas do Mercosul
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domingo, 24 de outubro de 1999
Por Cláudia Dianni 
Brasília, 25 (AE) - O governo brasileiro só está aguardando o novo presidente argentino, Fernando De la Rúa, eleito ontem (24), tomar posse e anunciar que está pronto para discutir as metas visando à convergência macroeconômica do Mercosul, disse o secretário-executivo do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Luiz Felipe de Seixas Corrêa, que está ocupando interinamente o cargo de ministro, cujo titular é Luiz Felipe Lampreia.
De acordo com Corrêa, o estabelecimento das metas macroeconômicas, como défict fiscal e endividamento público, por exemplo, podem e devem caminhar junto com a reforma tributária e a aprovação da lei de responsabilidade fiscal.
Segundo disse o ministro interino, tanto a aprovação da reforma ajuda no establecimento das metas como a fixação de objetivos macroeconômicos no Mercosul colabora para a aceleração das reformas.
"Há uma interatividade no processo interno e no processo externo", disse. As metas para o Mercosul estão sendo estudadas desde o início do ano, quando foi formado um grupo para discutir a convergência marcroeconômica do bloco, que vai fixar limites a questões como défcit público e fiscal em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).
"Só falta a Argentina ficar pronta para serem fixadas as bases do pequeno Maastricht", disse o embaixador, parafraseando o presidente Fernando Henrique Cardoso, que, em visita à Argentina, em julho, comparou as metas a serem fixadas pelo Mercosul com o tratado que estabeleceu os objetivos de convergência da União Européia (UE). O tratado de Maastricht foi assinado em 1994, na Holanda, e levou o bloco europeu à união monetária, no início deste ano.
Corrêa afirmou que será "fácil" e "muito boa" a convivência do governo brasileiro com a coalizão de oposição Aliança, UCR-Frepaso, que elegeu De la Rúa à presidência da Argentina, ontem. Fernando Henrique irá à posse do novo presidente, em 10 de dezembro, mas, antes disso, espera a visita de De la Rúa, em novembro. O novo presidente faz parte do grupo de oposição que se uniu para derrotar o candidato do presidente Carlos Menen, Eduardo Duhalde, com quem Fernando Henrique tem boas relações políticas e consolidou a área de livre comércio e iniciou a união aduaneira do Mercosul.
De acordo com Corrêa, o governo brasileiro está pronto para conversar com De la Rúa e estabelecer critérios para a nova fase do Mercosul, que Lampreia batizou de "relançamento" do bloco. Corrêa referiu-se à consolidação da união aduaneira, quando temas que estão fora da área de livre comércio, como o açúcar e o setor automotivo, terão de ser discutidos, e à criação do mercado comum. Nessa fase, serão iniciadas conversações sobre a livre circulação de cidadãos, identificações comuns e o reconhecimento de dimplomas e profissionais nos países do bloco, entre outros aspectos.
Ele não quis comentar, porém, se o governo vai discutir a concessão de medidas compensatórias para a Argentina, no caso da relação comercial dos parceiros, por causa da desvalorização do real. Em campanha, tanto o candidato vitorioso, De la Rúa, como o peronista, Duhalde, disseram que exigiriam compensações, caso o real continuasse a se desvalorizar. "Há outros casos tão importantes ou mais importantes do que o câmbio, como por exemplo, a política fiscal", disse o embaixador.


