Brasil erradica transmissão de Chagas por inseto
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sexta-feira, 09 de junho de 2006
Adriana Dias Lopes<br>Agência Estado 
São Paulo- O Brasil recebeu ontem da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) um documento inédito na América Latina, a Certificação de Eliminação da Transmissão da Doença de Chagas. Para conceder o certificado, nos últimos cinco anos uma equipe internacional formada por especialistas em saúde fez visitas regulares em cada Estado brasileiro para verificar a incidência do barbeiro, o principal transmissor da doença. Só no ano passado, foram 1,9 milhão de casas inspecionadas.
Nem todo tipo de transmissão foi eliminada no País, porém. ''O atestado comprova que interrompemos a contaminação pelo barbeiro, responsável por 85% dos casos da doença'', explica Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde. A doença é causada pelo protozoário Trvpanosoma cruzi, que é transmitido principalmente pelo barbeiro. Ela afeta o coração, fazendo que aumente de tamanho.
O mal de Chagas também pode ser transmitido por transfusão de sangue - desde a década de 90, os hemocentros são obrigados a ter testes de mal de Chagas - e por alimentos que foram infectados com a urina ou mesmo com pedaços do barbeiro. ''Ainda temos registro de transmissão por alimentos contaminados, mas são poucos casos. Nos dois últimos anos, foram 47 casos no total'', diz Barbosa.
No ano passado, pelo menos dois Estados registraram casos de contaminação por alimentos, Santa Catarina e Amapá. O casos de Santa Catarina fizeram a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criar regras para o comércio de sucos e caldo de cana.
Na década de 70, segundo a Vigilância em Saúde, o Brasil tinha 100 mil casos da doença por ano. ''De 1975 a 1980, 4,2% da população rural brasileira era infectada'', conta Barbosa. O programa de combate ao mal de Chagas recebeu R$ 97 milhões de investimento nos últimos três anos.


