Brasília, 09 (AE) - O governo brasileiro está disposto a enviar tropas a Timor Leste, para compor uma força de paz liderada pelas Nações Unidas, somente se a Indonésia autorizar a entrada das tropas internacionais.
Segundo fontes do Itamaraty, a resistência da Indonésio em conceder a autorização "é brutal" e uma possibilidade seria uma força que atuasse junto com os militares desse país. O problema é que crescem os rumores de destituição do governo do presidente B. J. Habibe e de haver um golpe militar.
Mesmo assim, o Itamaraty confia que os indonésios vão acabar cedendo, principalmente por causa da pressão econômica exercida pelos Estados Unidos. De acordo com fontes do Itamaraty, os Estados Unidos já bloquearam qualquer crédito para a Indonésia via Fundo Monetária Internacional (FMI) e Banco Mundial.
Caso a Indonésia volte atrás e decida aceitar as forças de paz, o Congresso brasileiro terá de aprovar os envio das tropas e a liberação de um crédito em regime de urgência. Países como a Argentina e o Uruguai, por exemplo, têm mais mobilidade para enviar tropas. A constituição brasileira, porém, não permite que nenhum soldado armado saia do País sem autorização do Congresso. Segundo informações do Itamaraty, a ONU pode ou não ressarcir parte dos gastos com o envio das tropas.
O prazo de 48 horas pedido por Jacarta à ONU para melhorar a situação em Timor Leste termina amanhã. Portugal já pediu uma reunião aberta do Conselho de Segurança e deverá propor o envio de uma força multinacional. Nesse caso, vários países enviariam tropas e a liderança seria entregue a um dos países e não à ONU, como ocorreu em Kosovo.
É pela via econômica que o governo brasileiro acredita que irá prevalecer a linha do presidnete Habibe, que tende a autorizar a entrada das tropas internacionais, mas ele está extremamente pressionado pelos militares. A Indonésia passa por uma das piores crises financeiras de sua história e conseguiu autorização do FMI para um empréstimo de US$ 43 bilhões no ano passado, após o fim de 32 anos de regime ditatorial, mas o dinheiro ainda não foi totalmente liberado.
Com a constante desvalorização da rúpia e a queda na bolsa de valores, o governo brasileiro acredita que os efeitos financeiros dos cortes aos créditos virão logo e a Indonésia aceitará as tropas de paz.
Para o governo brasileiro, o descumprimento dos acordos de Nova York é um reconhecimento de que o país não tem condições de garantir a ordem interna. Nos acordos, assinados em maio, a Indonésia garantiu esforçar-se pela manutenção da ordem, caso os timorenses optassem pela independência, como ocorreu na consulta popular do dia 30 de agosto.
As críticas de que o governo brasileiro não se estaria esforçando por uma solução para a crise do Timor têm irritado diplomatas brasileiros. De acordo com o Itamaraty, qualquer país que queira enviar tropas a Timor sem autorização da Indonésia estará declarando guerra a um país de 200 milhões de habitantes.
"O presidente Fernando Henrique já mandou duas cartas dizendo que a situação e insustentável e tem causado grande clamor popular no Brasil e pediu que o governo da Indonésia assuma a responsabilide", disse uma fonte do Itamaraty. Segundo ele, o presidente e alguns diplomatas estão em contado diário com embaixadores nos países que apóiam o Timor, inclusive com autoridades australianas. "O presidente recebeu até cumprimentos da Austrália e de Portugal pela pressão que está exercendo sobre a Indonésia", disse.
Integrantes da Missão das Nações Unidas em Timor Leste (Unamet) estão resistindo em sair de Dili por temer que os paramilitares antiindependência promovam um derramamento de sangue. Eles não querem deixar os dois mil refugiados timorenses, abrigados na sede da Unamet, sem proteção

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