Curitiba - O Brasil tem um dos maiores índices de mortes de jovens causadas por armas de fogo entre 60 países pesquisados pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Em algumas estados, como Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco, os homicídios são os responsáveis por mais da metade das mortes de jovens no País. Em 68,3% dos casos foram utilizadas armas de fogo. A média brasileira dessas mortes em 2000, num universo de 100 mil habitantes, era de 19,5. No Paraná, analisando o mesmo universo e período, a taxa ficou em 19,4 para cada 100 mil pessoas, quase o mesmo percentual da média no País.
Os dados constam no livro ‘‘Mapa da Violência III’’, do sociólogo Jacobo Waiselfisz, lançado ontem pela Unesco, em Brasília. O livro faz um confronto da população total com a faixa de 15 a 24 anos, analisando as taxas de homicídios, de óbitos por acidentes de transportes, de suicídios e de mortes por arma de fogo. Analisa também a vitimização juvenil durante dez anos nos estados, nas capitais e em 60 países do mundo.
Segundo a pesquisa, o uso das armas de fogo vem crescendo gradativamente nos últimos anos, assim como o índice de mortes violentas. Em 1998, 3,2% do total de mortes acontecidas no País foram originadas pela ação de algum tipo de arma de fogo. Já em 2000, essa participação cresceu mais ainda: 3,6% do total.
As mortes violentas ou por ‘‘causa externas’’ já figuram entre a principal causa de morte entre os jovens brasileiros. Segundo dados da Unesco, há cinco décadas, as epidemias e doenças infecciosas eram as principais causas de morte entre os jovens, substituídas, gradativamente pelas causas externa de mortalidade. Em 1980, por exemplo, essas causas já eram responsáveis por mais da metade (52,9%) do total de mortes dos jovens brasileiros. Duas décadas depois, dos 45.310 óbitos juvenis, 31.851 foram originados por causas externas. Em 2000, 70,3% dos jovens morreram por causas externas e o maior responsável foi os homicídios.
Há dois anos, a média brasileira dessas mortes para cada 100 mil pessoas era de 27. O Paraná fica abaixo dessa média (18,5), mas bem acima da menor média registrada: a de Maranhão, com 6,1 mortes por homicídios para cada 100 mil
jovens. Em Curitiba, em 2000, 54,8 pessoas morreram vítimas de homicídios no universo pesquisado, enquanto a média brasileira ficou em 98,8 pessoas.
O Paraná lidera o número de óbitos por suicídios. Enquanto a média brasileira é de quatro para cada 100 mil. O Estado registrou seis pessoas para cada 100 mil.

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