São Paulo - O Inventário Brasileiro de Emissões está quase pronto e deve ser apresentado em breve ao Congresso Nacional, informou ontem o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Sérgio Besserman Vianna. Ele falou durante a inauguração do novo escritório do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, que funcionará na sede do IBGE, em São Paulo.
Coordenado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, o inventário é condição para o Brasil ratificar o Protocolo de Kyoto, o que deve acontecer, conforme determinação do presidente Fernando Henrique Cardoso, antes da Conferência Mundial do Meio Ambiente (Rio+10), entre agosto e setembro, em Johannesburgo, África do Sul. Esse tratado estabelece compromissos concretos para os países desenvolvidos sobre a redução de gases causadores do efeito estufa e entrará em vigor quando 55 países o ratificarem.
De acordo com Fábio Feldmann, secretário executivo do Fórum de Mudanças Climáticas, embora o Brasil não esteja na relação dos países que têm obrigação de diminuir as emissões dos gases do efeito estufa, ‘‘o inventário vai mostrar que o País está entre os dez maiores emissores do mundo, por causa do desmatamento na Amazônia’’. Isso porque, mesmo tendo a maior parte de sua matriz energética hídrica, considerada limpa, ao queimar a floresta o País libera na atmosfera uma enorme quantidade de carbono, o principal dos gases do efeito estufa.
A localização da sede paulista do Fórum, que tem também escritório em Brasília, deve-se ao fato do IBGE ser o futuro depositário do Inventário Brasileiro de Emissões. ‘‘O Instituto será responsável pela manutenção do banco de dados e pela divulgação do inventário. Além disso, dará suporte para sua atualização, que continuará a depender de várias instituições’’, explica Vianna.
Criado pelo governo para mobilizar a sociedade para a discussão sobre os problemas decorrentes da mudança do clima por gases de efeito estufa, o Fórum tem ainda a missão de incluir esse tema nas políticas públicas do País. ‘‘A temperatura na Terra deverá subir mais de 3,5ºC nos próximos 100 anos, o que faz das mudanças climáticas o grande desafio de humanidade neste século’’, diz Feldmann.

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