Brasil emite US$ 2 bi para troca de dívida
São Paulo, 18 (AE) - O Brasil concluiu hoje uma operação de troca de dívida externa renegociada (bônus Brady) por US$ 2 bilhões em bônus globais (papéis novos), que vai resultar numa economia de US$ 205 milhões no custo de administração da dívida externa do País e ainda aumentar o volume das reservas internacionais em cerca de US$ 520 milhões.
De acordo com uma nota distribuída pelo Banco Central (BC), cerca de 61% dos bônus aceitos na troca possuíam garantias depositadas no BIS (Banco de Compensações Internacionais) sob a forma de títulos do Tesouro americano. Essas garantias poderão agora ser liberadas e vão proporcionar cerca de US$ 520 milhões em divisas para o País.
Os US$ 2 bilhões a serem emitidos em bônus globais serão trocados pelo equivalente em bônus Brady a US$ 2,9 bilhões. A demanda total do mercado para a realização da troca, no entanto, segundo o BC, foi da ordem de US$ 4,1 bilhões. De acordo com o Banco Central, o governo optou, nessa operação, por não levar adiante a parcela da emissão de bônus globais em dinheiro - cogitada para ser de US$ 500 milhões, segundo analistas - por causa das "condições adversas do mercado".
Na sexta-feira, a divulgação de uma inflação no atacado de 1,1% nos EUA provocou uma fuga generalizada de ações e títulos. Segundo fontes do mercado, a queda que a turbulência causou no preço dos títulos brasileiros no mercado secundário - e a consequente alta dos juros - tornou a oferta de 850 pontos-base acima dos papéis americanos equivalentes pouco atrativa para investidores interessados em comprar novos títulos.
De acordo com o economista Roberto Padovani, da Tendências Consultoria Integrada, apesar de o governo conseguir aumentar o volume das reservas internacionais, o valor obtido ainda será insuficiente, até o momento, para o Brasil cumprir a meta com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Em dezembro, as reservas líquidas - diferença entre o volume total e o empréstimos dos organismos internacionais ao Brasil - devem estar em US$ 23,5 bilhões. Pelas contas de Padovani, vão falar cerca de US$ 850 milhões para cumpri-la.
Remuneração - Os novos papéis pagarão juros de 14,61% ao ano, ou 850 pontos-base acima do título do Tesouro americano com prazo equivalente. Os bônus Brady recebidos na troca estavam sendo negociados em geral a juros 15 pontos percentuais acima dos títulos do Tesouro americano equivalentes, quase o dobro dos 850 pontos oferecidos pelos novos papéis. Analistas explicaram que há dois motivos para a grande diferença no custo das duas dívidas: os bônus Brady requerem cálculos complexos para serem negociados e ainda trazem o estigma de uma dívida que já foi renegociada. Por isso, dizem, muitos administradores de fundos são proibidos de investir em títulos que já estiveram inadimplentes.





