Brasil é um dos países mais desiguais na educação, revela Pisa.
Na última década, a diferença de desempenho entre os alunos se aprofundou com a desigualdade socioeconômica
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quarta-feira, 04 de dezembro de 2019
Na última década, a diferença de desempenho entre os alunos se aprofundou com a desigualdade socioeconômica
Renata Cafardo e Isabela Palhares - Agência Estado
São Paulo - A maior avaliação de estudantes do mundo, o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) mostra que o Brasil é um dos países mais desiguais em educação. Na última década, a diferença de desempenho entre os alunos se aprofundou com a desigualdade socioeconômica.
Em 2018, a diferença de pontuação entre estudantes ricos e pobres na prova de leitura foi de 97 pontos, o que equivale a pular um nível de aprendizagem. A média entre países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) é de 89 pontos. Em 2009, essa diferença de desempenho era de 84 pontos no Brasil, quando ainda ficava abaixo da média geral.
Os resultados do Pisa foram divulgados nesta terça-feira (3) pela OCDE, em Paris. Participaram da prova, aplicada em 2018, 600 mil estudantes em 79 países. O exame é feito desde 2000, a cada três anos, com nações membros da OCDE e convidados, como é o caso do Brasil. A China, representada por quatro províncias, ficou em primeiro lugar dos rankings mundiais das três áreas avaliadas - Leitura, Matemática e Ciência. Nesta edição, o foco foi em Leitura.
O documento lembra que a condição socioeconômica é um dos fatores que mais influenciam o desempenho escolar e destaca que a mobilidade social no Brasil também é uma das menores entre os países avaliados. O estudo calcula a chance de que um aluno pobre de estudar em um colégio com alto desempenho é de 13%. Em países como Canadá, Dinamarca, Estônia, Finlândia, esse porcentual chega a 20%.
Como resultado da desigualdade de oportunidades, os jovens pobres brasileiros estão entre os que têm menor expectativa de continuar os estudos. Mesmo entre os alunos pobres com nota alta em Leitura (estão nos níveis 5 e 6), 10% acreditam que não vão conseguir entrar na faculdade. Nos países-membros da OCDE, apenas 4% dos jovens têm a mesma opinião.
A OCDE também mostra a desigualdade entre as nações. As que têm melhor desempenho em Leitura são as que mais investem em educação. O resultado positivo seria possível, já que o gasto por aluno poderia compensar as dificuldades socioeconômicas da família. Macau, na China, por exemplo, tem o terceiro maior investimento por aluno, US$ 150 mil (R$ 630 mil) ao ano, e é o terceiro com maior nota em Leitura. Cingapura, o segundo no ranking, investe US$ 110 mil (R$ 462 mil) ao ano.
Entre os países com pior desempenho também estão os que menos investem. Filipinas tem a nota mais baixa e o menor investimento, com menos de US$ 12 mil (R$ 50 mil) ao ano. O Brasil é um dos países com menor gasto por aluno, cerca de US$ 30 mil (R$ 126 mil) ao ano, atrás de países como Malásia, Uruguai, Chile.
Weintraub culpa integralmente o PT e chama resultado de tragédia
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, classificou nesta terça-feira (3) o desempenho do Brasil no Pisa de "tragédia" e atribuiu a culpa pelos resultados "integralmente ao PT".
Divulgado nesta terça (3), o Pisa aplicado em 2018 mostrou uma estagnação do Brasil nos indicadores de educação por quase uma década. "Estamos estagnados desde 2009, não houve progresso. Estatisticamente estamos de lado, a despeito do aumento dos recursos que foram investidos. Porque a técnica e o formato que estávamos fazendo são ruins. Este governo não tem nada a ver com este Pisa", declarou o ministro, em uma coletiva a jornalistas marcada por críticas à imprensa.
"O símbolo máximo do fracasso da gestão do PT começou quando foi construída a lápide da educação, que está lá embaixo na entrada do MEC, que é esse mural do Paulo Freire. Representa esse fracasso total e absoluto. Então, sim, [o Pisa é] integralmente culpa do PT, integralmente culpa dessa doutrinação esquerdófila sem compromisso com o ensino. Que quer discutir sexualidade e não quer ensinar a ler e escrever", disse Weintraub, que eximiu o ex-presidente Michel Temer de responsabilidades nos indicadores por ele "ter ficado pouco tempo" no poder.
Ao classificar o desempenho dos estudantes brasileiros como "na média uma tragédia", Weintraub usou a coletiva para defender a política educacional implementada pelo governo Bolsonaro. Ele citou a nova política nacional de alfabetização, o projeto de expansão do acesso à internet para escolas públicas brasileiras e os planos de ampliação do ensino em tempo integral, além do Future-se (projeto que prevê iniciativas de fomento ao financiamento privado nas universidades federais e parcerias com organizações sociais).
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