O Brasil foi o último colocado no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), prova que mediu, pela primeira vez, o desempenho de estudantes com 15 anos na rede pública e particular de ensino de 32 países. O Ministério da Educação considerou o resultado ''melhor do que o esperado''.

Os alunos brasileiros também ficaram na última colocação no ranking que utilizou fatores socioeconômicos para ponderar os resultados e na classificação que considerou apenas os estudantes com mais escolaridade.

A prova é coordenada pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 28 países que a entidade congrega, mais quatro emergentes - Brasil, México, Letônia e Rússia. O levantamento é realizado a cada três anos.

Os primeiros colocados foram Finlândia (546 pontos) e Canadá. O Brasil, com 396 pontos, ficou atrás do México, que atingiu 422.

Para Cláudio de Moura Castro, economista especializado em educação, ''a escola, tanto de rico quanto de pobre, não está ensinando seus alunos a ler um texto escrito e a tirar dele as conclusões e reflexões logicamente permitidas''. O diagnóstico consta de análise encomendada pelo Ministério da Educação.

O Pisa avaliou o desempenho dos alunos nas áreas de matemática, leitura e ciências. A leitura foi a habilidade mais valorizada na prova, realizada em 2000 por cerca de 5 mil alunos brasileiros do ensino fundamental e médio. A zona rural foi excluída da pesquisa. Em 2003, a ênfase será matemática.

Em análise feita pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), ligado ao Ministério da Educação, os brasileiros podem ter errado algumas questões por imprecisões na tradução.

De cinco níveis possíveis de classificação da média geral, os brasileiros foram os únicos a ficar no nível 1. Isso significa que os alunos souberam apenas localizar informações explícitas nos textos. Entre os adolescentes brasileiros com nível socioeconômico e cultural alto, 58% ficaram nos níveis 3, 4 e 5.

O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, disse que foi surpreendido porque esperava resultados piores. ''Não é que o ensino seja ruim. É que há muita repetência'', disse. Para ele, o fato de os alunos brasileiros com alta escolaridade estarem no mesmo patamar de seus equivalentes da Polônia, Grécia e Rússia é um fator positivo. Mesmo assim, o ministério pretende reforçar o combate à repetência e incentivar a leitura nas escolas.

mockup