Brasil é recordista na venda de Xenical no mês de lançamento
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de fevereiro de 1999
Por Gabriela Scheinberg, especial para a AE 
São Paulo, 03 (AE) - O Xenical, remédio que absorve 30% da gordura consumida, virou a pílula do verão. O Laboratório Roche, fabricante do produto, anunciou hoje que o Brasil é o país que mais comprou Xenical no primeiro mês de lançamento. A Alemanha, que até hoje mantinha o recorde de vendas, comercializou 227 mil unidades no mês em que o medicamento começou a ser vendido, segundo Wilson Borges, gerente de Unidades de Negócios da Roche. "No Brasil, durante o mês de janeiro, vendemos 285 mil unidades", afirmou Borges.
Para o gerente, esse fato é resultado do potencial do mercado brasileiro, onde a obesidade cresce em índices alarmantes. De acordo com o endocrinologista Alfredo Halpern, cerca de 40% da população brasileira tem índice de massa corpórea (IMC) acima de 30, indicativo de obesidade. O IMC é igual à divisão do peso corporal em quilos pelo quadrado da altura, em metros.
Demanda reprimida - Halpern também avalia que o País tinha uma "demanda reprimida" pelo produto. "No Brasil já se falava em Xenical seis meses antes de o produto chegar", disse o médico. Borges concordou com a teoria de Halpern. "Nós fomos beneficiados pelo lançamento do produto em outros países, o que aumentou a especulação sobre o remédio", afirmou.
O gerente de Unidades da Roche enfatizou, ainda, que no Brasil há muitos pontos-de-venda. Segundo sua avaliação, 40 mil farmácias no País têm Xenical em seu estoque.
De acordo com Halpern, há outro fator que contribui para a disparada das vendas do produto. "Há uma histeria coletiva na qual todas as mulheres querem emagrecer, independentemente do seu peso." O Xenical, segundo Halpern, não é "uma pílula milagrosa". O remédio é indicado para pessoas que possuem um IMC igual ou maior do que 30. Aqueles que possuem um IMC entre 25 e 30 e sofrem de males associados à obesidade, como hipertensão ou diabete, também podem beneficiar-se com o remédio.
À risca - O advogado Raul Gipsztejn seguiu a orientação de Halpern e comprou o Xenical em outubro, quando um amigo trouxe o remédio da Argentina. "No momento em que comecei a tomar o remédio não seguia nem a terapia nem a dieta à risca e, memo assim, consegui emagrecer 3 quilos", informou o advogado.
Em dezembro, Gipsztejn preocupou-se com o excesso de alimentação durante as festas e preferiu seguir com rigor as indicações prescritas no remédio, que pedem uma pílula azul antes de cada refeição, além da dieta, que deve conter pouca gordura. Segundo o advogado, outro fator que influiu na decisão de levar mais a sério os procedimentos indicados foi o próprio preço do Xenical: hoje, a caixa com 84 comprimidos custa R$ 193 80.


