Na Escola Ruth Lemos, Projeto Londrina Global ensina o idioma de forma lúdica
Na Escola Ruth Lemos, Projeto Londrina Global ensina o idioma de forma lúdica | Foto: Gustavo Carneiro



Quando a professora Heloísa Poças passa pelo pátio da Escola Municipal Ruth Lemos, no Conjunto Luís de Sá, na zona norte de Londrina, as crianças, em coro, fazem a saudação: "Hello, teacher!". Mas o vocabulário dos alunos, todos menores de 10 anos, vai muito além do cumprimento. Eles estão inseridos no Projeto Londrina Global, que ensina inglês de forma lúdica para cerca de 13 mil alunos em 45 escolas da cidade.
Experiências como a da Secretaria Municipal de Educação de Londrina, infelizmente, ainda são exceção no País. Nesta quarta-feira (16), a EF Education First, empresa de educação internacional especializada em intercâmbio, divulgou o Índice de Proficiência em Inglês (EPI, na sigla em inglês), que mediu o domínio da língua em 72 países. Com pontuação de 50,66, o Brasil apareceu na 40ª posição, na classificação de "proficiência baixa". Se comparado com os países dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia, China e África Do Sul), o país é o último colocado no que se refere ao domínio da língua. A África do Sul não faz parte do ranking porque o inglês é uma de suas línguas oficiais.
O levantamento foi elaborado com base em dados obtidos de mais de 950 mil pessoas que realizaram o teste de inglês on-line em 2015. Somente os países com um mínimo de 400 participantes foram incluídos no índice. Entre as habilidades avaliadas estão o domínio de gramática, vocabulário, leitura e compreensão de adultos que não têm o inglês como língua nativa. O resultado do exame leva em conta o padrão internacional do Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas (CEFR). "O Brasil continua estagnado, o que mostra que as políticas de ensino do idioma não se mostraram efetivas nos últimos anos", analisou Luciano Timm, vice-presidente de Relações Institucionais e Acadêmicas da EF Education First. "O Brasil não pode se dar ao luxo de estar desconectado das outras nações, por isso precisamos dar esse importante passo de tornar o inglês parte estratégica para competir no mundo", completou.
A coordenadora da Assessoria de Relações Internacionais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Telma Gimenez, faz ressalvas à metodologia empregada no estudo da EF Education First, mas admite que, de alguma forma, a pesquisa traz representações da baixa proficiência em inglês do brasileiro. "O fato é que o País demanda de políticas de fortalecimento do ensino de línguas estrangeiras, que sofrem histórico descaso. Atualmente, quem tem dinheiro para pagar um curso se destaca, porque o inglês ensinado na escola regular não atinge os objetivos", comentou.
Recentemente, o presidente Michel Temer apresentou uma medida provisória de reforma do ensino médio que prevê, entre outras propostas, que o ensino da língua inglesa seja obrigatório a partir do sexto ano. Até então, era obrigatória a inclusão de uma língua estrangeira moderna a partir do quinto ano. Além disso, a escolha do idioma era de responsabilidade da comunidade escolar. Telma rechaça a mudança. "Apesar de o inglês ser um língua de extrema importância, não podemos nos privar do plurilinguismo. Há situações que outras línguas podem ter mais importância, por diversos motivos", opinou.

Imagem ilustrativa da imagem Brasil é pior emergente em ranking de inglês



EXPERIÊNCIA
Dentro do Projeto Londrina Global, alunos do 2º ano da Escola Ruth Lemos tiveram a oportunidade de se comunicar, por videoconferência, com crianças da mesma idade de Andover, no sul da Inglaterra.
A professora Maria Luiza Cândido Tomaz, que leciona inglês para crianças na Escola Municipal Mábio Gonçalves Palhano, no Parque Ouro Branco (zona sul), ressaltou a importância do aprendizado do inglês desde cedo. "Nesta idade eles são muito receptivos, podemos trabalhar o conteúdo de forma lúdica. Isso não acontece quando eles têm o primeiro contato mais tarde, quando já recebem conteúdo mais complexo, de gramática", compara.(Com Folhapress)

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