São José dos Campos, SP, 19 (AE) - O Brasil é o pioneiro na América Latina na pesquisa do silício poroso, um novo material que será a principal ferramenta tecnológica do futuro. O produto é considerado estratégico para se obter avanços na captação de energia limpa, na medicina de reconstituição e na informática. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) desenvolve estudos com esse material para ser usado em sensores ambientais.
Um dos maiores especialistas do assunto no País, o físico Antonio Ferreira da Silva, garante que o silício poroso revolucionará vários conceitos atuais, principalmente na medicina. O material adapta-se, sem qualquer rejeição, ao tecido humano e possibilita o desenvolvimento de culturas de células em sua superfície. "O silício poroso é um biomaterial que pode ser usado, por exemplo, em cirurgias corretivas", explica o cientista.
O material é encontrado na natureza em abundância e empregado em componentes eletrônicos e em sensores e condutores de energia de baixa escala. O mineral foi o responsável pela miniaturização dos circuitos eletrônicos e originou o conceito dos microchips para computadores. Mas, por ter uma superfície cristalina, deixa de emitir luz. "Praticamente se conhece tudo sobre o silício e isso barateia seu estudo", comentou. Liga - Outro aliado importante no desenvolvimento de tecnologias em espaços mínimos é a liga formada pelo gálio, alumínio e arsênio. O transporte de energia é feito de maneira mais rápida que no caso do silício e há emissão de luz. Suas características possibilitaram a criação de chips que armazenam bilhões de informações numa área correspondente a uma cabeça de alfinete dividida um milhão de vezes. O resultado desse processo é conhecido como nanochip. Mas não há um total domínio sobre essa composição.
O silício poroso, porém, surge como o elemento intermediário entre as tecnologias do silício e da liga. Pelo fato de demandar menos recursos em suas pesquisas e de ter uma grande parte dos estudos sobre suas qualidades já desenvolvida, vem ganhando terreno no meio científico. Além de reunir ambas as características, os resultados alcançados com o silício poroso são mais eficientes. Isso porque consegue conduzir energia e emitir luzes, que é fundamental na produção de equipamentos óptico-eletrônicos. Biomaterial - Segundo o cientista, o silício poroso é obtido por processos químicos de desgaste da superfície da placa de silício. A rugosidade formada dá novas possibilidades de aplicação ao produto, como ser classificado como biomaterial. Essa nova característica possibilita a transmissão dos estímulos elétricos emitidos pelo cérebro e a recomposição do sistema nervoso no segmento danificado. "A retina de um deficiente visual poderá ser substituída por um chip de silício poroso e ele voltará a enxergar tal a capacidade do material em captar luz", observou Silva.
Esse novo produto será empregado em cirurgias corretivas e de reconstituição de partes afetadas do corpo humano num futuro próximo. A previsão dos cientistas é a de que o casamento com a engenharia genética e outras tecnologias médicas criará, em pouco tempo, membros biônicos, que poderão substituir os naturais com maior eficiência e sem rejeição. "Vários centros de estudos na Inglaterra, Estados Unidos e Suécia estão investindo na tecnologia estratégica", salientou Silva.
O silício poroso também está sendo pesquisado pelo Inpe para a construção de células solares, utilizadas em painéis de captação e conversão de energia luminosa em elétrica. Esse sistema é usado em satélites e em outros projetos espaciais, como as estações científicas. O satélite sino-brasileiro Cbers carregará 16,6 mil células solares de silício, e terá capacidade de gerar 1,1 mil watts, que serão consumidos em suas órbitas.

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